Gabriela Biló/estadão
Gabriela Biló/estadão

Teich diz que nova diretriz para isolamento vai ser dada, mas decisão é de Estados e municípios

Ministro da saúde foi pressionado por senadores para ser claro sobre qual é a orientação do governo

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 19h41

BRASÍLIA - Pressionado por senadores para ser claro sobre qual é a orientação de isolamento social durante a pandemia da covid-19, o ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou nesta quarta-feira, 29, que a decisão final sobre o distanciamento será dos Estados e municípios.

  Anteriormente, na audiência pública do Senado, Teich citou um estudo da pasta para alterar a diretriz orientando o isolamento só para algumas pessoas - como idosos, casos confirmados e aqueles em contato com doentes - e regiões mais críticas. Ele ponderou, porém, que o posicionamento do ministério não mudou até o momento.

Na audiência, o ministro citou que o isolamento social é a orientação possível diante da ausência de diagnósticos suficientes da covid-19 no Brasil. Por outro lado, ele afirmou que o governo estuda alterar a orientação. A crítica veio na sequência.

"Estou estarrecido. Com todo respeito, mas acho que é uma dubiedade muito séria. Por favor, seja firme e claro nessa posição. Dê o recado à nação como líder da Saúde no País. Não pode haver dubiedade, especialmente quando o presidente da República está dando sinais contrários", afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) ao ministro.

Em resposta, Teich pontuou que, se há relaxamento do isolamento no País, é por decisão dos governadores. "O ministério nunca se posicionou para saída do distanciamento. Tem que ficar muito claro. Nunca", afirmou o ministro.

"O que está sendo feito em relação a uma nova diretriz, isso vai sair. E cada Estado vai poder usar essa diretrizes para sua própria realidade", pontuou Nelson Teich, no cargo desde o último dia 17. "A decisão é dos Estados e municípios."

O clima na sessão piorou após o ministro falar em alterar a diretriz de distanciamento social. "Não estou satisfeita com as suas respostas. Respeito seu currículo, sua história, mas sinceramente eu quero saber: isolamento ou não isolamento?", perguntou ao ministro a senadora Kátia Abreu (PP-TI). "O senhor sabe o que fazer? Se não sabe, vamos seguir com o isolamento."

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