Gabriela Biló
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Teich muda discurso: ‘Não dá para começar liberação quando se tem uma curva em franca ascendência'

Ministro da Saúde admitiu que o Brasil pode vir a registrar cerca de 1 mil mortos por dia

André Borges e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2020 | 18h54

BRASÍLIA- O ministro da Saúde, Nelson Teich, admitiu que o Brasil pode vir a registrar cerca de 1 mil mortos por dia e mudou completamente o tom sobre os planos de flexibilizar o isolamento social defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou que o momento é impróprio, dado o avanço crescente de mortes e contaminações em todo o País.

“Ninguém está pensando em relaxamento. Ninguém está pensando em relaxar o isolamento. Neste momento, ninguém está pensando em flexibilizar nada”, disse Nelson Teich, em coletiva de imprensa realizada no Palácio do Planalto. “Temos uma diretriz pronta, um ponto de partida, mas não dá para você começar uma liberação (social) quando você tem uma curva em franca ascendência.” 

Teich disse que, neste momento, o foco é apoiar a infraestrutura de Estados e municípios que estão em situação de emergência. “As diretrizes estão feitas, tem que ver como a gente vai veicular. Ninguém vai chegar aqui com uma coisa milagrosa. O mundo inteiro está tomando iniciativas de flexibilização. O distanciamento social permanece como a orientação. Vamos avaliar cada Estado e município”, disse o ministro. 

O ministro admitiu que o Brasil pode vir a registrar cerca de 1 mil mortos por dia. Nas últimas 24 horas, foram registradas 435 mortes pela covid-19. “É um número possível de acontecer. Não quer dizer que vai acontecer”, comentou. 

Teich disse que, apesar de haver muitos municípios com poucos casos confirmados, cerca de 15% dos municípios mais sensíveis pode concentrar a maioria da população. “Se a gente não parar para entender e ficar polarizando se é bom ou ruim, não vai levar a nada. Temos que analisar isso de forma tranquila e equilibrada”, disse.

Quando chegou ao ministério, Teich disse que estava 100% alinhado ao discurso de Bolsonaro e que o País precisava tratar de medidas de flexibilização onde fosse possível. A realidade, porém, é que o crescimento rápido do vírus em todo o País tem feito com que o Ministério da Saúde tenha de priorizar a agenda de socorro a locais que passam por todo tipo de dificuldade, como as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Manaus e Fortaleza.

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