Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Telemedicina é usada no SUS para rastrear casos de enfarte

1.400 passaram pelo programa do Santa Marcelina e 19 estavam sofrendo um enfarte agudo do miocárdio

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2014 | 03h00

O auxiliar de enfermagem Luciano Maurício da Rocha, de 42 anos, sentiu cansaço e dores no peito, há dez dias. Não deu atenção. Saiu do trabalho, fez viagem de trem de 1h10 até em casa e, à noite, a situação se agravou. “Senti uma estaca fincada no peito”, compara. Rocha foi levado pela família para o Pronto-socorro Municipal Julio Tupy, no Jardim Robru, zona leste de São Paulo. Não havia cardiologista de plantão - nem era preciso. 

O Julio Tupy integra projeto piloto do Hospital Santa Marcelina para rastrear casos de enfarte agudo do miocárdio. Em pouco mais de uma hora, Rocha foi atendido pelo clínico, medicado, passou por um eletrocardiograma (ECG), foi transferido para o Santa Marcelina e submetido a uma angioplastia (procedimento para desobstrução de artéria e colocação de stent).

Isso foi possível porque depois que o médico identificou o risco de ataque cardíaco, acionou uma central de telemedicina, em Uberlândia (MG), onde cardiologistas de plantão analisaram o ECG, diagnosticaram o enfarte agudo do miocárdio e orientaram o tratamento. Ao mesmo tempo, o Santa Marcelina era avisado. Quando Rocha chegou, a equipe já o aguardava.

Há três meses, o Santa Marcelina, hospital filantrópico em que 80% dos pacientes atendidos são do Sistema Único de Saúde, inaugurou o programa Latin (Rede Latino-americana de Telemedicina para Enfarte, na sigla em inglês). Além do Julio Tupy, fazem parte do programa o Hospital Itaim Paulista, o Pronto Atendimento Atualpa Girão Rabelo, o Hospital Tiradentes, e a AMA Santa Marcelina, instituições que ficam entre 1 e 14 km de distância do Hospital Santa Marcelina. Os equipamentos e o treinamento das equipes foram doados pela Medtronic, fabricante de stents. 

“Depois do início dos sintomas do enfarte, os médicos têm seis horas para tentar salvar o músculo cardíaco. Isso significa salvar vida e salvar qualidade de vida, porque os que sobrevivem ficam com insuficiência cardíaca. Entre a chegada ao pronto-socorro e a angioplastia, o tempo máximo deve ser de 90 minutos. O nosso tempo é de 43 minutos”, explica Marco Perin, chefe do serviço de hemodinâmica do Hospital Santa Marcelina. “Estamos oferecendo a melhor medicina do mundo para pacientes do SUS.” 

Números. Desde o início do programa, 1.400 pacientes passaram pelo rastreamento; 19 estavam sofrendo um enfarte agudo do miocárdio. Como foram atendidos em curto espaço de tempo, nenhum ficou com sequela. Além do rastreamento do enfarte agudo, os médicos de centros que fazem parte da rede do Santa Marcelina podem ainda entrar em contato com a central de telemedicina para tirar dúvidas a respeito de medicações e atendimento de pacientes com outras alterações cardíacas. Perin afirma ainda que, no futuro, a intenção é ampliar o serviço para outras enfermidades cardíacas.

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