Nilton Fukuda/ESTADÃO
Nilton Fukuda/ESTADÃO

Teles passam a oferecer taxa de aglomeração por zonas e bairros a prefeitos e governadores

Dos 80 entes federativos aptos a utilizar o mapa de calor, 39 aderiram; em São Paulo, autoridades públicas poderão verificar a taxa em locais como a Rua 25 de Março e o Parque do Ibirapuera; até então, mapa oferecia apenas um índice geral

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2020 | 05h00

BRASÍLIA - A plataforma digital das teles, que apura a taxa de isolamento da população durante a pandemia do novo coronavírus, ganhou uma nova funcionalidade. Desde a última sexta-feira, 10, já é possível medir aglomerações em áreas de até quatro quilômetros quadrados, como zonas específicas e bairros. O sistema, integrado pelas quatro maiores teles do País – Claro, Vivo, TIM e Oi – está disponível para todos os Estados, capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes, além do governo federal. Dos 80 entes federativos aptos a utilizar o mapa de calor, até agora, 39 aderiram – 17 Estados e 22 municípios. Somente autoridades públicas têm acesso às informações.

Em São Paulo, por exemplo, um dos Estados que aderiram ao mapa de calor, as autoridades públicas poderão verificar a taxa de aglomeração em locais como a região da Rua 25 de Março, o Aeroporto de Guarulhos e o Parque do Ibirapuera. Até então, o mapa oferecia apenas um índice geral para os municípios como um todo.

A nova funcionalidade poderá permitir que prefeitos e governadores aprimorem das políticas públicas relacionadas ao enfrentamento da pandemia, entre eles os protocolos para retomada gradual de atividades, avalia Marcos Ferrari, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil). “É uma ferramenta poderosa, que permite às autoridades maximizar as políticas de saúde e o uso de recursos do orçamento. Também é uma forma eficiente de monitorar a fase de flexibilização da quarentena”, afirma.

Para medir a taxa de aglomeração, a referência é a média diária, registrada entre os dias 1.º e 14 de março, do número de celulares conectados a uma determinada antena de celular. O período foi escolhido porque, até então, prefeituras e governos estaduais ainda não havia adotado medidas de isolamento social.

Em cada um dos quadrantes de 4 km² de municípios e Estados, as autoridades poderão comparar os índices atuais com os do período de referência e descobrir se houve mais ou menos aglomeração – a escala é tonalizada e vai de -100% (mais clara) a mais 100% (mais escura). O dado estará disponível de forma retroativa, desde 15 de maio. Também será possível separar os indicadores por dia de semana e horário e verificar a evolução ao longo de semanas.

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, afirma que os dados do mapa de calor das operadoras compõem a matriz de risco do Estado para classificação dos municípios – juntamente com a incidência de casos, letalidade, porcentual de contaminados com mais de 60 anos e ocupação de leitos de UTIs. Segundo ele, o número de casos registrados no Estado ainda é elevado, 1 mil e 1,2 mil por dia , mas a curva das mortes está estável há três semanas. “Os novos dados são ainda mais precisos e vão nos ajudar a aprimorar a matriz de risco. Isso vai permitir uma atuação mais pontual e também mais mobilização da sociedade”, afirmou.

Para o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr, que também aderiu à ferramenta, os novos indicadores poderão mostrar se as políticas públicas adotadas na capital gaúcha estão surtindo efeito e servirão, também, para orientar novas decisões. “Esses dados têm mostrado que há relação direta entre os índices de isolamento e a demanda por leitos de UTI. Quando conseguimos apoio da sociedade nessas medidas, conseguimos diminuir a ocupação”, afirmou.

Tanto Casagrande quanto Marchezan reconhecem que o engajamento da população ao isolamento diminuiu nas últimas semanas. Por isso, dados mais precisos e delimitados, segundo eles, podem contribuir para políticas públicas mais direcionadas.

“Conseguimos achatar a curva por dois meses, mas o patamar de circulação aumentou e, com isso, a demanda por leitos. Dessa vez, a sociedade não respondeu tão bem quanto na primeira vez que adotamos as medidas”, reconheceu o prefeito de Porto Alegre. Até hoje, 13, a capital gaúcha registrava 4.744 casos confirmados e 161 óbitos.

O sistema das operadoras funciona em uma camada superior à de dados pessoais e mostra apenas o porcentual de linhas de celular conectadas em cada antena. Em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados, não são utilizadas informações do GPS dos celulares e não é possível identificar nome, número ou operadora. As informações não são transmitidas em tempo real, mas com um dia de atraso. As manchas de calor se alteram conforme o deslocamento de aglomerações, de forma que a movimentação de uma única pessoa não afeta o indicador.   

Prefeitos e governadores devem manifestar interesse na plataforma por meio de ofício. Cada um recebe cinco chaves de acesso, e todas as pessoas com acesso devem assinar um acordo de cooperação técnica e um termo de responsabilidade e confidencialidade. Somente autoridades com e-mail “.gov” podem fazer o cadastro e acessar ao sistema. Não é possível baixar os dados. O prefeito só pode ver as informações do município que administra, enquanto os governadores têm acesso a indicadores de todos os municípios de seu Estado.  

A lista de Estados que aderiu ao mapa de calor inclui, além do Espírito Santo e São Paulo, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe.

Além de Porto Alegre, os municípios que já possuem acesso à ferramenta são Campinas, Santo André, Maceió, Macapá, Feira de Santana, Salvador, Serra, Aparecida de Goiânia, Belo Horizonte, Betim, Juiz de Fora, Uberlândia, Belém, Recife, Jaboatão dos Guararapes, Teresina, Londrina, Campos, Rio de Janeiro, Florianópolis e Joinville.

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