Telescópio espacial descobre novo sistema solar

Astrônomos localizaram um estranho novo sistema solar, com pequenos planetas "inchados" e amontoados em órbitas próximas à sua estrela.

MAGGIE FOX, REUTERS

02 Fevereiro 2011 | 17h32

A descoberta, publicada na quarta-feira na revista Nature, intriga os astrônomos e mostra quanta variedade o universo pode abrigar.

A equipe da Nasa e de diversas universidades batizaram o sistema de Kepler-11, por ter sido descoberto pelo telescópio orbital Kepler.

"Uma das características mais notáveis do sistema Kepler-11 é como as órbitas dos planetas são próximas entre si", escreveram os cientistas no artigo.

A estrela lembra o nosso Sol, mas cinco dos planetas que a orbitam estão "amontoados" numa distância equivalente à que separa Mercúrio de Vênus. E eles são maiores e menos densos do que os planetas rochosos do nosso sistema - Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. No entanto, estão entre os menores exoplanetas (planetas fora do nosso Sistema Solar) já vistos.

"Está claro que tais planetas não precisam se parecer de forma alguma com a Terra", disse por telefone Jonathan Fortney, da Universidade da Califórnia, Santa Cruz.

"Os planetas de pouca massa no sistema Kepler-11 parecem mais como pequenos Netunos do que como Terras gigantes", completou ele. Netuno - junto com Júpiter, Saturno e Urano - formam os chamados "gigantes gasosos", que orbitam mais distantes do Sol.

Já existem mais de 500 exoplanetas catalogados, e a maioria é gigante - pois, sendo muito distantes, só os maiores são detectáveis. Os pesquisadores têm certeza de que existem planetas como a Terra por aí.

Fortney acha que o telescópio Kepler poderá descobri-los, caso consiga permanecer em órbita por tempo suficiente para coletar dados - até dez anos. Nenhum telescópio é capaz de visualizar diretamente um planeta em órbita de outras estrelas. Os cientistas os localizam por meio de meios indiretos.

O Kepler mensura a luz que vem de uma estrela, e a distorção causada quando um planeta atravessa na sua frente. Isso permite estimativas sobre o tamanho e a distância orbital do objeto.

No caso do sistema Kepler-11, a pulsação da luz sugere que haja pelo menos seis planetas girando rapidamente em torno da estrela. Um deles está bem mais afastado da estrela do que os outros cinco, mas todos parecem ser compostos principalmente de gás e estão numa órbita muito plana e circular.

Lançado em março de 2009, o Kepler está medindo a luz de 100 mil estrelas nas constelações Cisne e Lira. A esperança é encontrar planetas com tamanho e composição semelhantes às da Terra, dentro da chamada zona habitável - quente o suficiente para que exista água líquida, mas não quente demais para abrigar vida.

No mês passado, os cientistas do telescópio Kepler confirmaram a descoberta do seu primeiro planeta rochoso, batizado de Kepler-10b, com 1,4 vez o tamanho da Terra.

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