Telescópio solar mostra imagem de onda do tamanho dos Estados Unidos

Onda poderá ajudar a compreender o mecanismo de aquecimento da corona do Sol

estadão.com.br com AP

08 Junho 2011 | 13h18

SÃO PAULO - O Solar Dynamics Observatory (SDO), um telescópio solar lançado em fevereiro de 2010 e que começou a reproduzir imagens do Sol em março do mesmo ano, registrou uma onda que, de acordo com os cientistas, é do tamanho dos Estados Unidos. O resultado deste estudo foi publicado na revista Astrophysical Journal Letters.

Este tipo de onda poderá ajudar na compreensão do mecanismo de aquecimento da atmosfera exterior do astro, chamada de corona. Acredita-se que ondas desta magnitude causam turbulência, o que provocaria o aumento do aquecimento nesta área do Sol. Os cientistas sabem que este tipo de onda é resultado da instabilidade Kelvin-Helmholtz, que ocorre quando dois fluidos de diferentes densidades ou diferentes velocidades fluem sobre o outro. Isso ocorre também nas ondas do oceano por causa da densidade da água na interação com o ar mais leve, o que causa as ondas gigantes.

No caso da atmosfera solar, que é composto por um gás superaquecido e carregado eletricamente chamado de plasma, esta situação ocorre quando o plasma em erupção encontra uma porção que não está em erupção. A diferença na velocidade e na densidade dos gases nas bordas criam a instabilidade que dá origem às ondas.

Explosão solar

Uma explosão solar também foi registrada pelas câmeras do Solar Dynamics Observatory da Nasa nesta terça-feira, mas cientistas já adiantaram que se trata de um evento menor que terá impacto mínimo na Terra.

A explosão criou uma grande nuvem que aparentemente cobriu quase metade da superfície solar, de acordo com a Nasa. A nuvem com partículas eletricamente carregadas ocorreu na atmosfera externa do Sol e acredita-se que possa passar pela Terra entre esta quarta-feira e quinta-feira, causando influência mínima no campo magnético da Terra.

"Não é realmente um grande evento", disse Michael Hesse responsável pelo laboratório de clima espacial da Nasa. "É espetacular de se assistir, mas pequeno em termos de riscos para a Terra".

No máximo, a nuvem poderá causar uma breve interrupção nas comunicações de rádios de alta frequência, principalmente naqueles próximos aos polos, disse o cientista espacial Joe Kunches. "Não parece que irá atingir a Terra diretamente". A Aurora Boreal também pode ficar mais visível na noite de quinta ou sexta-feira, ele avisa.

Uma explosão solar muito maior ocorreu no sábado, mas a Nasa não conseguiu imagens porque ela se deu no lado oposto do Sol. Os cientistas esperam um aumento na atividade solar porque o astro está chegando a um período mais volátil, um ciclo que dura 11 anos, no qual seu campo magnético inverte sua orientação.

"O sol acordou e se tornará mais ativo na medida que nos aproximamos do 'solar maximum", esperado para 2013, disse Hesse.

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