Temporada de cruzeiros no Brasil será retomada a partir do dia 5 de março

Companhias voltam a operar roteiros após surtos de covid-19 em embarcações no final do ano passado

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Foto do author Leon Ferrari
Foto do author Sandra Manfrini
Por Leon Ferrari e Sandra Manfrini
Atualização:

Após suspensão devido a surtos de covid-19 em embarcações, a Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros (Clia Brasil) anunciou nesta quarta-feira, 2, a retomada da temporada a partir de sábado, 5, com saídas programadas até 18 de abril.

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O Ministério da Saúde antecipou para o próximo dia 5 a autorização para retomada da operação de navios de cruzeiro no País. A portaria com a alteração da data está publicada em edição extra do Diário Oficial da União que circula nesta quarta-feira. "Está autorizada a operação de navios de cruzeiro a partir de 5 de março de 2022, tendo em vista o cenário atual de pandemia de covid-19", diz o artigo da portaria.

Na última sexta-feira, 25 de fevereiro, o Ministério da Saúde tinha divulgado uma portaria que dispõe sobre a avaliação do cenário epidemiológico de covid-19 e as condições para o cumprimento do isolamento ou da quarentena de viajantes e das embarcações. Nesse ato, o governo autorizava a retomada da operação de navios de cruzeiro a partir do dia 7 de março, data que agora foi antecipada para o dia 5. 

Passageiros desembarcam do navio MSC Preziosa, no Rio de Janeiro;temporada de cruzeiros será retomada a partir de 5 de março. Foto: Wilton Junior/Estadão - 02/01/22

Em dezembro do ano passado, surtos da doença entre tripulantes e passageiros fizeram com que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendasse a suspensão definitiva da temporada e impedisse o ingresso em um cruzeiro atracado no Porto de Santos. Com isso, no dia 3 de janeiro, a Clia anunciou paralisação da operação até dia 21 de janeiro. O avanço da Ômicron, no entanto, levou ao adiamento da retomada.

A Anvisa destaca que segue vigente a resolução que dispõe sobre os requisitos sanitários para o embarque, desembarque e transporte de viajantes em embarcações de cruzeiros. A agência destaca inclusive que foi devido aos protocolos estabelecidos por meio da RDC nº 574/2021, que foi possível o acompanhamento do cenário epidemiológico nas embarcações e a identificação da alteração no número de casos a bordo após a autorização concedida em novembro. 

“Diante da nova autorização para operação, a Anvisa reforça que a viagem em navios de cruzeiro não está isenta de riscos, diante do confinamento característico dessa atividade, que pode propiciar a disseminação do vírus Sars-Cov-2”, falou, em nota. O órgão ainda reforçou que vai continuar fiscalizando os protocolos sanitários empregados pelas embarcações e “não hesitará em adotar as medidas que se fizerem necessárias para proteger a saúde dos viajantes”.

No comunicado desta quarta-feira, a associação de navios disse que 19 roteiros voltam a operar. As rotas passam por oito destinos: Balneário Camboriú, Itajaí, Porto Belo, Santos, Ilhabela, Rio de Janeiro, Angra dos Reis/Ilha Grande e Búzios. 

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Conforme explicou a Clia, os cruzeiros exigem uma “abordagem robusta em várias camadas aos protocolos de saúde e segurança que abrangem toda a experiência”. Por isso, destacou que as embarcações cumprem medidas sanitárias que incluem comprovação de vacinação anticovid e testagem frequente de, ao menos, 10% de passageiros e tripulantes. Também assegurou que os municípios de destino estão estão alinhados para implementar “rigorosos protocolos de segurança”.

A MSC Cruzeiros comunicou a volta das atividades já no dia 5 em seus navios: o Preziosa, que parte do Rio, o Seaside e o Splendida, que saem de Santos. Também anunciou a abertura de vendas para quatro novos minicruzeiros, entre três e quatro noites, a bordo do Preziosa.

A Costa Cruzeiros vai retomar a temporada no dia 14 de março apenas com uma das embarcações, o Diadema, e com itinerário alterado. “Lidamos com um cenário muito incerto nos últimos meses e por isso optamos por retomar nossas atividades apenas com o navio Costa Diadema”, explicou Dario Rustico, presidente executivo da companhia para América do Sul e Central, em nota.

O Costa Diadema fará viagens de 3, 4 e 7 noites com embarques em Santos, Rio de Janeiro e Itajaí. O navio visitará as cidades de Itajaí, Rio de Janeiro, Búzios e Ilhabela, em substituição às escalas de Salvador e Ilhéus.

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O navio Costa Fascinosa, por sua vez, não vai fazer mais viagens pela costa brasileira em 2022. “Os clientes programados para embarcar no Costa Fascinosa em saídas a partir de 7 de março serão reacomodados automaticamente sem nenhum custo adicional nos cruzeiros a bordo do navio Costa Diadema, considerando o embarque em data próxima ao cruzeiro original, duração similar e as mesmas categorias e cabines adquiridas”, destacou a empresa. 

Caso o cliente não tenha disponibilidade na data remarcada, deve solicitar um voucher para a Costa Cruzeiros O crédito poderá ser usado até 31 de dezembro de 2023 para embarques até 30 de junho de 2024. Também será oferecida a alternativa de reembolso.

A Clia ainda destacou que o setor de cruzeiros é “vital” para a recuperação econômica global. “Desde julho de 2020, mais de 6 milhões de pessoas navegaram em quase 90 mercados em todo o mundo. As companhias associadas à Clia representam mais de 90% da capacidade oceânica do mundo, com aproximadamente 270 navios”, informou, em nota. No Brasil, de acordo com a associação, a temporada 2019/2020 gerou R$ 2,24 bilhões para a economia nacional e cerca de 34 mil empregos.

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Confira protocolos vigentes

  • Vacinação completa obrigatória de hóspedes e tripulantes;
  • Testagem pré-embarque (PCR de até três dias antes ou antígeno até um dia antes da viagem);
  • Testagem frequente de, pelo menos, 10% da tripulação e passageiros;
  • Capacidade reduzida para facilitar distanciamento social de 1,5 metros entre grupos e permitir a distribuição de cabines reservadas para isolar casos suspeitos;
  • Uso obrigatório de máscaras;
  • Preenchimento de formulário de saúde pessoal (Declaração de Saúde do Viajante);
  • Ar fresco sem recirculação, desinfecção e higienização constantes;
  • Plano de contingência com equipe médica; 
  • Medidas de rastreabilidade e comunicação diária com a Anvisa, municípios e Estados.

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