Temporão anuncia R$ 1 bilhão para combate à dengue

Ministro da Saúde aposta em conscientização e ação coordenada com estados e municípios

Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo,

13 de outubro de 2008 | 16h58

Pressionado pelo aumento dos casos de dengue, o governo lançou nesta segunda-feira, 13, um pacote de medidas para conter a ameaça de uma nova epidemia no País. Entre as ações, o aumento de R$ 128 milhões nas ações de prevenção, treinamento de médicos e participação de integrantes das Forças Armadas, tanto no combate ao mosquito transmissor como no tratamento de um eventual aumento de casos. De janeiro a agosto deste ano, o número de casos da doença foi 42,7% maior do que no mesmo período de 2007. O número de mortes também aumentou: passou de 148 para 212. A proporção entre casos e mortes, chamada taxa de letalidade caiu de 10,25 para 5,98. "De qualquer forma, está fora de qualquer parâmetro razoável", admitiu o ministro da Saúde, José Gomes Temporão nesta segunda-feira, 13, ao anunciar as medidas.   Veja também:  O avanço da dengue no Brasil   As doenças hemorrágicas no mundo    Para tentar reduzir esta estatística, o plano prevê o treinamento de médicos e profissionais de saúde , a formação de uma rede para detecção de casos mais graves e um protocolo com as medidas que devem ser adotadas para atender pacientes nestas condições, sobretudo idosos, cardíacos e crianças.    Especialistas alertam que, caso uma nova epidemia se instale neste verão, há grande risco de os casos serem mais graves e atingirem principalmente menores de 15 anos. Um quadro semelhante ao que foi verificado no Rio neste verão.    Levantamento feito pelo Ministério da Saúde apontou 13 regiões do País como prioritárias para o combate à doença: Baixada Santista, Campinas, Ceará, Sergipe, Rio, Amazonas, Pará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte, Alagoas, Minas, Goiás. Baixada Santista e Rondônia. Nestas regiões, há circulação do vírus tipo 2 da dengue, o que preocupa autoridades por dois motivos: o alto número de pessoas suscetíveis a infecção provocada por esse agente e, além disso, a constatação de que pacientes atingidos por esse tipo de vírus apresentam quadros mais graves.    Para locais considerados prioritários, o governo encaminhou um roteiro com medidas essenciais a serem adotadas . De acordo com Temporão, desde abril governadores recebem das regiões prioritárias recebem avisos sobre o risco da epidemia e números sobre os casos da doença em seus Estados.     Além de medidas tradicionais para o controle do mosquito transmissor da doença, o governo lançou três estudos-piloto, para dar mais agilidade ao programa. O primeiro deles, que será implantado em 11 municípios (destes, 7 capitais), avaliará a eficácia de um novo método para identificar áreas de maior risco de transmissão da doença, feito com o uso de armadilhas monitoradas em tempo integral por agentes comunitários. "O agente transmitirá os dados para uma central para estratificar áreas de baixo, médio e alto risco da epidemia", disse o ministro. As cidades que se inscreveram para o teste são: Santa Luzia (Minas), Belo Horizonte, São José do Rio Preto, Santos, Manaus, Vitória, João Pessoa, Maringá, Goiânia, Recife e Aracaju.    O segundo estudo-piloto tentará verificar a eficácia de um novo teste que, em 15 minutos, identifica se o paciente está contaminado pelo vírus da dengue. Este trabalho deverá ser desenvolvido pelos mesmos municípios do primeiro estudo, exceto Belo Horizonte. O terceiro estudo deverá disponibilizar um programa para que a população cadastrada e treinada possa informar casos de suspeita da doença. A experiência é semelhante à usada na Comunidade Européia para acompanhar casos de dengue e será feita nas cidades de João Pessoa, Maringá (PR) e Santa Luzia (MG), a partir de janeiro.     O governo quer ainda melhorar a forma de comunicação e mobilização da comunidade. Pesquisas feitas pelo Ministério da Saúde mostram que a população tem informação sobre as causas da doença e seus sintomas. Mas não adota as medidas necessárias para prevenção. "Temos de transformar a informação em ação", disse Temporão.   Atualizada às 21h35

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