Marcio Fernandes/AE
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Temporão chama especialistas para discutir combate à gripe

Ministro da Saúde disse que está negociando produção da vacina e que país ainda enfrentará 'período difícil'

Agência Brasil,

24 Julho 2009 | 11h35

Especialistas na área de saúde se reunirão no dia 3 de agosto, em Brasília, para discutir o combate à gripe suína. A informação foi dada nesta quinta-feira, 23, em Assunção, Paraguai, pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que participa de encontro de ministros do Mercosul. O Brasil conta até agora 1.566 pessoas infectadas e 29 mortes.

 

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"O governo quer ouvir o que os especialistas têm a dizer sobre a nova doença, suas estratégias de enfrentamento no campo da clínica, da epidemiologia, da vigilância sanitária, do tratamento, da produção de vacinas, da produção de reagentes", afirmou o ministro.

 

A produção de vacinas contra a doença preocupa os governos da região. Temporão disse que o Brasil está negociando com todos os produtores do imunizante, consultando disponibilidade de estoques e preços e vai explorar sua "relação preferencial" de transferência de tecnologia com o laboratório francês Sanofi Pasteur.

 

"Nosso caminho é o do acordo. Evidentemente, o Brasil está disposto a defender a segurança da saúde de sua população", frisou Temporão, dando a entender que o País estaria disposto a quebrar a patente da nova vacina, como fez em 2007 com o remédio Efavirenz, para tratamento do vírus HIV, da Aids.

 

Não é apenas o acesso à tecnologia que preocupa o governo brasileiro. Temporão também manifestou apreensão quanto ao rendimento da vacina que está sendo desenvolvida no exterior, bem inferior ao da vacina contra a gripe sazonal. "Isso traz problemas: processo de produção mais lento e número de doses mais baixo. Além disso, diferentemente da gripe sazonal, talvez sejam necessárias duas doses de vacina por pessoa", disse.

 

Isso significa que não será possível fazer vacinação em massa. "Não teremos condições de fazer uma imunização universal, teremos que usar critérios que serão definidos pela Organização Mundial da Saúde", avisou. Já há consenso quanto à imunização dos profissionais de saúde. O segundo critério, de acordo com o ministro, provavelmente será vacinar os grupos de risco (crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas).

 

O ministro assegurou que o País está preparado para enfrentar o aumento do número de casos de gripe suína, mas reconheceu que não há solução imediata. "Vamos ter um período difícil ainda, algumas semanas de frio, com aumento com o número de casos. Infelizmente, teremos mais óbitos", afirmou.

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