Temporão e secretários definem ações contra epidemia

Apoio militar no combate à epidemia de dengue no Rio de Janeiro deve durar pelo menos até o dia 31 de maio

da Redação, estadao.com.br

28 de março de 2008 | 12h30

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, participa nesta sexta-feira, 28, de reunião com secretários de Saúde estadual e municipal para decidir ações contra a epidemia de dengue no Rio de Janeiro. Ma segunda-feira,31, as Forças Armadas irão montar três hospitais de campanha para atender e diagnosticar pacientes com dengue no Rio, que vive uma epidemia da doença. Serão 1.200 militares, trabalhando a partir de segunda-feira para receber casos suspeitos encaminhados por hospitais referenciados pela Secretaria Estadual da Saúde. VEJA TAMBÉM Especial - A ameaça da dengueFundação identifica dengue tipo 4 em Manaus; ministério negaEpidemia de dengue ameaça 30 cidades do PaísFamosos doam sangue na luta contra dengue no Rio Rio deixou de investir repasse da Saúde contra dengue, diz TCMTemporão diz que Maia sabia do risco de epidemia de dengue Cesar Maia acusa ministério de omissão 'criminosa' por dengueMedo da dengue aumenta procura por repelentes no RioPM pode arrombar porta de quem dificultar trabalho de agenteDengue atinge status de epidemia no Rio O apoio militar no combate à epidemia deve durar pelo menos até o dia 31 de maio. Para o secretário Nacional de Atenção à Saúde, José Carvalho de Noronha, essa é a epidemia mais letal que a capital fluminense já enfrentou. O número oficial do Estado é de 54 óbitos e 43.523 notificações por dengue de janeiro até quinta-feira, ou seja, 1 morte a cada 805 casos. Em 2002, quando houve a última epidemia, foram registrados 288.245 casos e 91 mortes - 1 óbito a cada 3.167 casos. "O ministro (da Saúde, José Gomes Temporão) e o Ministério da Defesa pediram que acelerássemos essas medidas porque estamos com um nível de letalidade insuportável", disse Noronha. Os hospitais de campanha atenderão apenas pacientes encaminhados pelas emergências dos hospitais públicos. "Com isso, esperamos reduzir muito as filas", afirmou o secretário Estadual da Saúde, Sérgio Côrtes. Cada uma das três Forças será responsável por uma instalação militar. A da Aeronáutica será na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde se concentram as taxas de incidência mais altas.  Os pacientes serão encaminhados pelo Hospital Lourenço Jorge, que fica no mesmo bairro. Em Nova Iguaçu, os casos suspeitos de dengue do Hospital da Posse irão para o Quartel do Corpo de Bombeiros, onde o atendimento será feito pela Marinha. Em Deodoro, na Vila Militar, o Exército montará sua unidade para atender casos do Hospital Estadual Carlos Chagas. Ainda esta semana, a secretaria estadual também irá instalar mais duas tendas de hidratação, na Penha e em Duque de Caxias. Além disso, outros 500 militares irão se juntar aos 1.200 homens do Corpo de Bombeiros no combate ao mosquito Aedes aegypti. Eles irão vistoriar residências e poderão invadir imóveis abandonados ou onde não haja autorização do proprietário, conforme decreto estadual. As medidas de reforço no combate à doença foram anunciadas na quinta-feira, logo após a reunião do gabinete de crise, que tem representantes das três esferas de governo e do Comando Militar do Leste. O secretário municipal da Saúde, Jacob Kliggerman, não compareceu. Ele avisou que não conseguiu chegar a tempo porque tinha ido doar sangue para pacientes com suspeita de dengue hemorrágica. A prefeitura nega que haja epidemia, mesmo com os 28.233 casos e 31 óbitos registrados na cidade. Após a reunião, o Ministério da Saúde anunciou a liberação de R$ 10 milhões para ações emergenciais de combate à dengue. O Estado investirá a mesma quantia. Em nota, o ministério informou ter investido mais de R$ 685 milhões no combate à doença em 2007.

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