Temporão elogia queda da infestação pelo mosquito da dengue

Em visita ao Rio no dia nacional de mobilização contra a doença, o ministro cobra esforços para evitar epidemia

Fabiana Cimieri, do Estadão,

24 de novembro de 2007 | 13h17

No dia nacional de mobilização contra a dengue, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, comemorou a redução do índice de infestação dos domicílios pelo mosquito Aedes Aegypti, que diminuiu a probabilidade de uma epidemia da doença neste verão.  No entanto, ele ressaltou que esse resultado é um retrato do momento. "Temos que redobrar os esforços porque se tivermos um verão muito quente e chuvoso (esses índices) podem aumentar. Tem que ser uma questão obsessiva. A gente não pode dar mole para o mosquito. E tem gente dando", disse ele, que visitou na manhã deste sábado uma vila de casas na Tijuca, bairro da zona norte com altos índices de infestação.  Sem citar exemplos, Temporão criticou os gestores municipais que não priorizaram o combate à doença. "O governo está cumprindo sua parte, mas também tem que melhorar. Temos evidências de que em alguns municípios os gestores não colocam essa questão como prioridade", criticou, ressaltando que, apesar de ter havido redução no índice de infestação, o número de casos ainda é alarmante.  De janeiro a setembro deste ano, foram registrados no País 481.316 casos de dengue clássica, 1.076 de dengue hemorrágica e a ocorrência de 121 óbitos. Do total de casos, 43% concentram-se em pequenos e médios municípios, com menos de cem mil habitantes. Segundo o Levantamento do Índice Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (LIRAa), divulgado na sexta-feira, a cidade do Rio de Janeiro é a que tem o maior porcentual do Sudeste, com índice de 3,7%. Embora esse resultado ainda seja alarmante, é quase a metade do registrado no ano passado, de 6,7%. O risco de surto é identificado quando o índice supera 3,9% e são considerados em estado de alerta os municípios com percentuais entre 1% e 3,9%.  "O grande número de casos que tivemos esse ano foi previsto pelo alto índice de infestação registrado no ano passado. Com essa redução e trabalho redobrado, vamos conseguir diminuir o número de casos no ano que vem", disse o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes. A pesquisa, feita entre a última semana de outubro e a primeira de novembro deste ano, mostra que, em comparação ao mesmo período de 2006, caiu de 10.420.902 para 3.812.113 o número de pessoas vivendo em regiões com risco de surto de dengue. O coordenador de Controle de Vetores da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, Mauro Blanco, atribuiu a redução à conscientização da população e ao trabalho dos agentes de saúde. "Há alguns anos a maioria das pessoas tinha plantas em vasos com pratos de água. Hoje a conscientização é maior e é mais difícil encontrar essa situação nas casa, embora aconteça bastante". Segundo ele, é preciso também desmistificar o uso do fumacê, que só é eficiente no combate do mosquito adulto. Estima-se que cerca de 30% dos ovos colocados pela fêmea do mosquito estão contaminados com o vírus da dengue. Eles são colocados em qualquer superfície escura e porosa e podem sobreviver até um ano. As larvas nascem quando entram em contato com a água e são invisíveis a olho nu. Os maiores índices de infestação no Brasil são em municípios da região norte e nordeste e com menos de 100 mil habitantes. "Por isso é importante termos estratégias de comunicação que cheguem na ponta, através de rádios comunitárias, alto-falantes nas praças e campanhas de mobilização popular", disse Temporão.

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