Temporão: 'Não há sentido em manter gestação de anencéfalo'

Este é o terceiro dia de audiência pública para discutir o direito da mulher de abortar em caso de anencefalia

Mariângela Gallucci, de O Estado de S. Paulo,

04 de setembro de 2008 | 09h40

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que não há sentido em manter gestações de fetos anencéfalos, quando a mãe não quer se submeter a uma gravidez que em 100% dos casos resultará em morte. Temporão participa do terceiro dia de audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) que discute o aborto de fetos anencefálicos. Segundo o ministro, os sistemas público e privado de saúde têm condições de diagnosticar a anencefalia com exames simples de ecografia. "Há certeza absoluta de morte (dos fetos com anencefalia)", afirmou.   Veja também: No STF, médicos argumentam que anencéfalos não sobrevivem Junta diz que Marcela não era anencéfala Caso Marcela foi marcado por informações confusas   CNBB e espíritas defendem a vida de fetos anencéfalos Universal e CDD defendem direito ao aborto de anencéfalo 'Não há dúvida, Marcela não era anencéfala' Leia opiniões de especialistas contra e a favor do aborto   Opine: o STF deve autorizar o aborto de fetos anencéfalos?  Entenda os casos de anencefalia    Assista ao vivo a transmissão pela TV Justiça        Temporão ressaltou que se a antecipação dos partos for permitida pelo STF, a mulher poderá escolher entre interromper o parto ou ter a criança. O ministro fez questão de deixar claro que, ao contrario do que afirmam alguns setores, a anencefalia não é deficiência. "Deficiência que leva à morte minutos após nascer?", indagou, após fazer uma apresentação na audiência pública para discutir a ação em que é pedida a liberação da interrupção de gestações de fetos com anencefalia.   Temporão comentou ainda a pesquisa do IBGE, segundo a qual os brasileiros gastam muito com saúde. "Alguma coisa está errada. Prova que o país gasta pouco em saúde", disse.   Nesta quinta, participam da audiência nove especialistas, entre os quais as representante Associação de Desenvolvimento da Família, a endocrinologista Therezinha do Nascimento Verreschi; da Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, a pós-doutora em Ciências Sociais, Lia Zanotta Machado; e a médica especialista em Pediatria, Habilitação em Neurologia Pediátrica, Cinthia Macedo Specian.   Texto alterado às 10h06 para acréscimo de informações.    (Com informações da Agência Brasil.)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.