Temporão quer Exército e Marinha supram falta de médicos

'No total, temos mil municípios sem nenhum médico', alertou o Ministro da Saúde em Genebra

Jamil Chade, Especial para O Estado,

21 de maio de 2008 | 16h05

O Ministério da Saúde quer o Exército e a Marinha no atendimento de cerca de 200 municípios nas fronteiras no Brasil que não contam com sequer um médico. A informação é do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que revelou que a proposta já começa a ser discutida dentro do governo e será finalizada em junho. "No total, temos mil municípios sem médico", alertou.  Veja também: Falta de profissionais é um grande desafio da saúde, diz OMS Na terça-feira, 20, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um estudo em que alerta que a falta de médicos no mundo chega a 4,3 milhões de pessoas. Um dos principais problemas seria a falta de investimentos dos países em desenvolvimento.  Segundo o relatório publicado pela agência da ONU, apenas 200 médicos são treinados por ano para uma população de 75 milhões de pessoas. Na Inglaterra, são 6 mil novos médicos por ano para 60 milhões de pessoas.  Curiosamente, a OMS aponta o Brasil como um exemplo nesse campo. Mas estima que serão necessários US$ 2,6 bilhões para treinar 1,5 milhão de médicos extra no mundo nos próximos dez anos.  Segundo Temporão, as negociações no caso do Brasil já começaram dentro do governo. "Estamos negociando com Ministério da Defesa para que eles fiquem encarregados de dar assistência médica a 20% dessas cidades sem assistência no Brasil, principalmente as que ficam nas fronteiras, mediante um repasse de recursos. A idéia seria usar o Exército e a Marinha", explicou Temporão.  Ele admite que existe uma pressão cada vez maior por uma participação da pasta da Defesa em outras áreas. Na semana passada, o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, indicou que gostaria de ter a Defesa na proteção ambiental. "Temos de chegar a essas pessoas de alguma forma", afirmou. No total, quase um quinto dos municípios brasileiros não contam com médicos. Temporão ainda estuda a criação de uma nova carreira no sistema público para atrair médicos para essas regiões mais remotas. Empresas  O governo também anuncia que vai criar linha de créditos do BNDES para incentivar a produção local de tecnologia de saúde e medicamentos. "Temo um déficit de tecnologia e conhecimento e uma fragilização do setor nacional. No Brasil, o setor da saúde emprega 9,5 milhões de pessoas e representa 8% do PIB do País. Portanto, precisávamos de uma política para o setor e é isso que estamos criando", afirmou Temporão.  Para ele, não se trata de uma política de substituição de importação. "Queremos atrair investimentos estrangeiros para o setor de saúde na produção de novas tecnologias", disse. O governo enviou ao BNDES uma lista de produtos que são nossas prioridades para que haja investimento. "Linhas de crédito serão criadas para as empresas, inclusive as estrangeiras, que queiram investir nesses setores de nosso interesse e montar suas linhas de produção no Brasil. Devemos ter uma postura de abertura aos investimentos externos no setor de saúde", afirmou Temporão.  Em julho, o ministro viajará à Índia para negociar com empresas locais para que não apenas exportem matérias-primas, mas que produzam no Brasil.

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