Temporão quer proibir campanha de antitérmico e analgésico

Segundo ministro da Saúde, medicamento não é seguro para sua utilização por doentes com dengue

Fabiana Cimieri, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2008 | 14h10

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, vai pedir à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a proibição da publicidade do Paracetamol (genérico do Tylenol). "Não se trata de proibir o uso do medicamento, mas estou preocupado com a propaganda na mídia", disse ele. "Isso eu vou pedir à Anvisa para proibir neste momento". Segundo ele, os médicos e as pessoas com suspeitas de dengue devem saber que não podem usar a droga "neste momento" no Rio de Janeiro, que enfrenta uma epidemia de dengue.   Veja também: Acompanhe o avanço da dengue Governo do Ceará confirma 4 mortes por dengue este ano Bahia registra segunda morte por dengue hemorrágica em 2008   De acordo com alguns especialistas, não é recomendado o uso de nenhum antitérmico, caso do Paracetamol, como tratamento para a doença, pois não há estudos que garantam sua segurança e eficácia. Algumas mortes foram causadas por insuficiência hepática, que, segundo alguns especialistas, pode ser agravada pelo uso indiscriminado do Paracetamol.   O ministro inaugurou, no início da tarde desta sexta-feira, 4, mais uma tenda de hidratação para pacientes com dengue, acompanhado do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e do secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, na Penha, na zona norte do Rio.   Outras duas novas tendas de hidratação para o combate à dengue serão inauguradas nesta sexta. Na quinta-feira, depois de três horas de reunião com secretários da Saúde de vários Estados, no Rio, o titular da pasta no Rio Grande do Sul e presidente do Conselho Nacional de Secretários da Saúde, Osmar Terra, anunciou a proposta de criação de uma Força Nacional de Saúde, nos moldes da Força Nacional de Segurança, que atuaria no combate de epidemias como a de dengue, que já matou pelo menos 67 pessoas no Rio.   Somente a partir de domingo ou segunda-feira, porém, começarão a chegar pediatras de outros Estados para atuar no atendimento da população fluminense. "Mais de cem estão garantidos", disse Terra. "Não houve qualquer receio ou vergonha de pedir ajuda. Estamos no meio de uma epidemia com crianças morrendo, aceitando qualquer ajuda", declarou o secretário do Rio, Sérgio Côrtes.   O prefeito Cesar Maia (DEM) ironizou a medida judicial que determina o atendimento 24 horas nos postos do município. "Se as matérias dizem que faltam profissionais de saúde e até autoridades falam em contratar em outros Estados e até países, os postos vão funcionar com quem?", escreveu. "Supondo que os postos operem funcionando 40 horas por semana, para funcionarem 24 horas por dia, 7 dias por semana, teriam que trabalhar 168 horas. Ou seja, teriam que mais que quadruplicar o número de médicos. E por que a pressão sobre a questão básica de falta de leitos não se dirige aos hospitais federais fechados?"   Na capital, foram confirmados 1.261 casos de quarta para quinta-feira - no total, são 37.908. São 44 mortos no município. Os hospitais de campanha das Forças Armadas tiveram mais um dia de sobrecarga. Para piorar, pacientes que procuravam o ponto de triagem da Aeronáutica foram furtados.

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