François Lenoir/Reuters
François Lenoir/Reuters

Terra estará 2,4 graus Celsius mais quente até 2020, aponta estudo

Produção alimentar seria insuficiente para satisfazer as necessidades de 7,8 bilhões de pessoas

estadão.com.br

19 Janeiro 2011 | 00h40

SÃO PAULO - Uma análise detalhada do impacto das mudanças climáticas conclui que a temperatura da Terra será, no mínimo, 2,4º C mais quente até 2020, caso o modo de vida atual continue.

Os impactos de um planeta mais quente sobre a produção global de alimentos serão enormes. De acordo com os padrões de distribuição atual, a produção alimentar não seria suficiente para satisfazer plenamente as necessidades alimentares de 7,8 bilhões de pessoas estimadas a viver no mundo na próxima década, o equivalente a 900 milhões de habitantes adicionais.

Em 2020, ao se considerar os impactos das mudanças climáticas e o crescimento populacional, a produção global de trigo vai experimentar um deficit de 14% entre produção e demanda; a produção de arroz terá um deficit de 11%; e a de milho, 9%. A soja é a única cultura que mostra um aumento na produção, com um excedente de cerca de 5%.

Essas são algumas das principais conclusões do relatório "Falta de comida - Impactos das mudanças climáticas na produção de alimentos: Uma perspectiva para 2020", produzido após um projeto realizado por um ano pela Fundação Ecológica Universal (FEU), organização sem fins lucrativos.

"A evidência de que os gases de efeito estufa aumentam a temperatura do planeta já está disponível há quase duas décadas. O relatório de 2007 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) concluiu que, de forma inequívoca, o aquecimento da Terra é antrópica, ou seja, produzida pelo homem", afirma o dr. Osvaldo Canziani, Nobel da Paz e ex-vice-presidente de um grupo de trabalho do IPCC. Canziani também é assessor científico do relatório e da FEU nos Estados Unidos.

A análise e os dados utilizados para produzir o relatório são baseados em documentos importantes já publicados pelo IPCC e por outras agências da Organização das Nações Unidas (ONU).

"A chave para o nosso relatório foi analisar, sintetizar e atualizar os documentos e dados de diferentes fontes e apresentá-los de forma acessível", explica Liliana Hisas, diretora executiva da FEU-EUA e autora do relatório. "A avaliação é baseada nas conclusões de 2007 do IPCC. Nossos outros princípios se basearam no atual sistema de negócios. Também focamos nos impactos das mudanças climáticas no curto prazo, ou seja, em uma década", completa.

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