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Atendimento a paciente com covid-19 em hospital de São Paulo TIAGO QUEIROZ / ESTADAO

Testagem tardia leva à subnotificação de casos de covid em crianças no Brasil

Falta de profissional adequado e escassez de testes para diagnosticar a covid-19 podem fazer com que as crianças cheguem já debilitadas à UTI

Mariana Hallal e Bruno Luiz, especial para o Estadão

07 de junho de 2021 | 10h00

Desde o início da pandemia, 948 crianças de zero a nove anos morreram de covid-19 no Brasil. O número, no entanto, provavelmente é bem maior. A falta de testes ou até mesmo a testagem tardia esconde, pelo menos, outras 1,5 mil mortes nessa faixa etária.

A projeção é da epidemiologista Sênior da Vital Strategies, Fátima Marinho. Ela aponta que a subnotificação de mortes por covid-19 em crianças dessa faixa etária pode chegar a 160%. Com a correção, seriam quase 2,5 mil vítimas. 

Um dos problemas que leva a isso, diz, é a escassez de testes. “Já ouvi médicos dizendo que não testam crianças porque tem pouco teste e, se testar a criança, vai faltar para o adulto”, conta. Dessa forma, o teste para coronavírus só é feito, em geral, em crianças que apresentam a forma grave da doença. Mesmo nesses casos, o RT-PCR pode vir tarde demais, quando o vírus já não está mais presente na nasofaringe, gerando um resultado falso negativo.

Vivian Botelho Lorenzo, intensivista pediátrica do Instituto Couto Maia e do Hospital do Subúrbio, unidades que são referência no atendimento à covid em Salvador, orienta os pais a buscarem sempre um pediatra para avaliar os filhos. “Muitas vezes os médicos generalistas não têm os cuidados específicos necessários”, diz.

Dentre os sinais mais comuns da covid em crianças, ela cita sintomas respiratórios que podem evoluir para a falta de ar, além de sintomas gastrointestinais. “Crianças que evoluem com diarreia e vômito tendem a apresentar quadros mais graves da doença”, observa. 

A dica da pediatra é monitorar os sintomas da criança e, em caso de agravamento, procurar atendimento médico. Se a criança tiver cansaço, febre alta persistente e estiver ‘molinha’, com pouca disposição e pouco apetite, ela precisa ser avaliada. Mas se a criança continuar ativa, brincando e se alimentando e se hidratando normalmente, não é necessário buscar a emergência.

Segundo Vivian, um dos fatores que mais influenciam na morte de crianças por covid são doenças crônicas pré-existentes. Os dados do Sivep-Gripe mostram que 55% das crianças que morreram em decorrência da doença apresentavam fatores de risco.

Internações

Nos hospitais em que Vivian trabalha, as crianças podem ter a companhia dos responsáveis durante a internação, apesar de o coronavírus ser muito contagioso. “A gente acredita que isso faz parte do cuidado do paciente e auxilia na recuperação. Não separamos de forma alguma as crianças dos pais”, diz.

No Brasil todo, pelo menos 15 mil crianças foram internadas com covid-19, sendo 3,6 mil em leitos de UTI. Em alguns casos, conta Vivian, é necessário algum tipo de terapia com oxigênio medicinal. No País, 1,3 mil crianças foram submetidas à ventilação invasiva (como a intubação) e outras 4,7 mil precisaram de suporte respiratório não invasivo, como máscaras de oxigênio.

Síndrome pós-covid

Além das complicações respiratórias associadas à covid, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) vem preocupando os pais. A doença costuma surgir de três a seis semanas após a infecção por coronavírus e pode acometer inclusive as crianças que tiveram a forma leve da covid ou ficaram assintomáticas.

Os principais sintomas são febre acima de 38ºC por três dias ou mais, conjuntivite, pressão baixa, alterações cardíacas, alterações na coagulação sanguínea, vômito, diarreia, dor abdominal e marcadores de inflamação elevados. A síndrome pode afetar crianças e adolescentes de zero a 19 anos que tiveram contato com o coronavírus.

O último boletim do Ministério da Saúde com informações sobre a SIM-P mostra que 903 crianças foram acometidas pela doença no Brasil e, destas, 61 morreram. Os dados vão até 17 de abril deste ano. A maior parte dos casos foram relatados nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pará.

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