Robin Van Lonkhuijsen/ EFE
Robin Van Lonkhuijsen/ EFE

Teste de antiviral contra o coronavírus apresenta resultados promissores nos EUA

Responsáveis pela pesquisa, porém, alertam que ainda é cedo para tirar conclusões

Ankur Banerjee, Reuters

17 de abril de 2020 | 10h45

Pacientes graves da covid-19 nos Estados Unidos tiveram rápida recuperação de febre e de sintomas respiratórios após tomarem o antiviral remdesivir, da farmacêutica Gillead Sciences. No hospital da Universidade de Chicago, que experimenta o tratamento em 113 infectados, quase todos os pacientes tiveram alta em uma semana, informou o site de notícias médicas STAT.

O remdesivir é um remédio desenvolvido pela Gillead para tratar pacientes da Mers e do ebola, e vem sendo testado no combate ao novo coronavírus. Os responsáveis pela pesquisa, no entanto, alertam que ainda é muito cedo para qualquer confirmação. Além disso, o estudo é conduzido sem um grupo controle - que receberia placebo para comparar os efeitos com quem tomou o medicamento.

“Dados parciais de um teste clínico em andamento são, por definição, incompletos, e não devem nunca ser utilizados para tirar conclusões”, disse o hospital da Universidade de Chicago. Segundo a instituição, informações de um fórum interno para pesquisadores sobre trabalhos em andamento foram divulgadas sem autorização.

As ações da Gillead saltaram 16% após a divulgação do relatório sobre o remdesivir. Resultados da fase 3 — penúltima etapa — dos testes da farmacêutica em pacientes graves, realizados em 152 locais diferentes, estão previstos para o fim deste mês. Dados adicionais de outros estudos devem estar disponíveis em maio. Uma pesquisa com casos moderados da doença também está sendo realizada, em 169 unidades. 

Ainda não há qualquer tratamento aprovado para o novo coronavírus, que já infectou mais de duas milhões de pessoas em todo o mundo. O interesse no medicamento da Gillead, porém, vem sendo alto. 

Os periódicos New England Journal of Medicine e o Journal of American Medical Association (Jama) publicaram, na última semana, uma análise mostrando que dois terços de um pequeno grupo com casos graves da covid-19 tiveram melhora após tratamento com remdesivir.

O levantamento considerou o tratamento “promissor”, mas alertou que é difícil interpretar testes sem grupo controle, com número baixo de pacientes, detalhes limitados e tempo de acompanhamento curto.

O Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infectocontagiosas dos Estados Unidos começou, em fevereiro, um teste randomizado (com grupo controle) em 800 pacientes. Os resultados, porém, não devem sair antes da conclusão do estudo da Gillead.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.