Teste de ondas cerebrais pode ajudar diagnóstico do autismo

Crianças autistas parecem ter atraso na assimilação de sons de até um quinto de segundo

AP

01 de dezembro de 2008 | 15h55

Padrões de ondas cerebrais únicos, vistos pela primeira vez em crianças autistas, podem ajudar a explicar porque elas têm tanta dificuldade de comunicação. Usando um capacete de imagem que se assemelha a um grande secador de salão de beleza, pesquisadores descobriram o que acreditam ser "assinaturas de autismo" que mostram um atraso no processamento de sons individuais.  Esse atraso é de apenas uma fração de segundo, mas quando é para todos os sons, o tempo decorrido pode se tornar um obstáculo para a fala e para a compreensão do que os outros dizem, disseram os pesquisadores.  Imagine se levasse um pouco mais de tempo que o normal para que você entendesse cada sílaba. Ao final de cada frase, você estaria bastante confuso.  Os autores do estudo acreditam que isso aconteça com crianças autistas, baseando-se nos padrões detectados em crianças em idade escolar em seu estudo.  Os resultados preliminares precisam ser confirmados em crianças mais novas, mas pesquisadores esperam que essa técnica possa ser usada para ajudar a diagnosticar o autismo em crianças de até um ano, de forma que o tratamento possa começar ainda mais cedo.  Os resultados da pesquisa foram apresentados nesta segunda-feira, 1º, no encontro da Radiological Society of North America. Encontrar marcadores biológicos - como ondas cerebrais - que permitam o tratamento mais rápido é o que os cientistas sempre buscaram no caso do autismo. Hoje em dia, médicos normalmente diagnosticam o autismo observando comportamentos que não aparecem antes dos dois anos de idade.  O estudo usou tecnologia não invasiva que mede os campos magnéticos gerados por correntes elétricas em células cerebrais nervosas.  Os pesquisadores fizeram com que 64 crianças autistas de 6 a 15 anos de idade ouvissem uma série de sons rápidos enquanto gravavam as respostas cerebrais aos sons. Essas ondas cerebrais foram comparadas com as respostas de crianças não-autistas.  Em crianças autistas, a resposta para cada som era atrasada em um quinto de segundo.

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