Teste identifica doenças do ‘Aedes’ e recebe aval

Anvisa dá registro a exame que será usado no SUS para diferenciar zika, dengue e chikungunya; febre já matou 159 pessoas no País neste ano

O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2016 | 00h58

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu registro ao primeiro teste que permitirá o diagnóstico simultâneo de zika, dengue e chikungunya. A nova tecnologia, batizada de Kit Nat, foi desenvolvida por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBPM).

O novo teste, que fornece os resultados no mesmo dia, utiliza mecanismos moleculares para identificar o DNA dos três vírus com base em uma única amostra de sangue, acabando com a necessidade de se realizar três exames separados.

O registro da Anvisa é considerado o último passo antes da comercialização do produto. A Fiocruz divulgou que o Ministério da Saúde encomendará a produção de 500 mil kits até o fim do ano, para distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o País.

Segundo a Fiocruz, o Kit Nat permite o diagnóstico durante a manifestação dos sintomas clínicos das três infecções. Com custo estimado de US$ 20 por teste, o kit será oferecido pelo SUS e poderá ser usado para o diagnóstico laboratorial dos três vírus, para dois ou para cada um separadamente.

A inovação também deverá reduzir os custos com exames, já que os insumos importados empregados nos testes atuais serão substituídos por produtos nacionais, segundo a Fiocruz.

O registro do novo teste ocorre no momento em que a chikungunya avança no País. Enquanto no ano passado a doença matou seis pessoas, em 2016 foram registradas 159 mortes – um aumento de 2.550% –, de acordo com boletim epidemiológico divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. O número de casos subiu mais de 627%, passando de 36 mil em 2015 para 263 mil em 2016. Se em 2015 os casos se distribuíam em 696 municípios, em 2016 eles foram registrados em 2.752 localidades, comprovando o alastramento da doença.

As mortes por dengue diminuíram, de acordo com o recém-divulgado boletim do Ministério da Saúde. A doença matou 609 pessoas em 2016 e 972 no mesmo período em 2015. O número de casos graves também caiu – passou de 1.680 em 2015 para 826 casos neste ano.

Vacina. O ministério ainda anunciou ontem o início da terceira e última fase de testes clínicos em humanos da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantã. A vacina, que teve investimentos de R$ 100 milhões do governo federal, será testada em 1,2 mil voluntários na cidade de São Sebastião, no Distrito Federal.

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