Teste inicial em homem com suspeita de Ebola deu anemia e infecção

Comerciante não tem febre, hemorragias, vômito ou diarreia; resultados sobre Ebola devem sair neste sábado

Fabiana Cambricoli e Lígia Formenti , O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2014 | 17h49

Atualizada às 21h30

Souleymane Bah, de 47 anos, primeiro paciente no Brasil suspeito de estar infectado por Ebola, não apresentou, nesta sexta, 10, febre, hemorragias, vômito ou diarreia, sintomas clássicos da infecção. Mas exames anteriores à internação apontaram anemia e infecção viral aguda. 

O paciente procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Cascavel, na quinta-feira, 9. Embora não tenha apresentado nenhum sintoma - apenas febre no dia anterior - e não relatar nenhum contato com pessoa infectada, o Ministério da Saúde decidiu classificá-lo como caso suspeito. “As queixas não podiam ser desconsideradas. A conduta dos profissionais de Cascavel foi absolutamente correta”, disse o ministro Arthur Chioro. 

Ele descartou a possibilidade de o caso ter sido uma espécie de “teste”. “Seguimos normas internacionais. Não podemos levar em consideração critérios subjetivos. Desde que ele chegou ao serviço de saúde, todas as medidas foram adotadas. A situação está sob controle”, ressaltou, preocupado com a reação da população. Até as 15 horas desta sexta, 64% das chamadas do Disque Saúde no País se referiam a Ebola. 

Logo depois de ser considerado como caso suspeito, Bah foi isolado na UPA. Nove horas mais tarde, às 4h30 desta sexta, embarcou em um avião da FAB para o Instituto de Infectologia Evandro Chagas, no Rio. De acordo com o ministério, 64 pessoas podem ter tido contato com ele, das quais 3 - todos profissionais de saúde - tiveram contato direto. A Secretaria de Saúde do Paraná diz que são 68. No grupo estão também dois casais, que dividem a casa com o comerciante. “Todos foram considerados de baixo risco, com exceção dos 3 que tiveram o contato direto”, disse Chioro. 

Exames. Bah foi submetido a vários exames e malária foi descartada. O material para confirmação do Ebola foi enviado para o Instituto Evandro Chagas, no Pará. O resultado será divulgado no sábado, 11. Positivo ou negativo, ele será replicado. 

Antes de passar pela UPA de Cascavel, o africano já havia feito um exame de sangue que apontou anemia e infecção viral aguda, disse ao Estado Miroslau Bailak, diretor da regional de saúde de Cascavel, órgão vinculado à Secretaria da Saúde do Paraná. “Ele não chegou a colher sangue na UPA porque o protocolo para Ebola indica que não deve ser feito nenhum exame fora da unidade de referência, mas recebemos um resultado de um hemograma realizado antes, possivelmente para um processo de admissão profissional. Os dados do exame mostram que ele tinha indícios de um quadro viral agudo, que pode ocorrer em doenças como dengue, HIV ou Ebola.”

O diretor não informou o laboratório nem a empresa, mas afirmou que é comum a chegada de africanos e haitianos à cidade para ocupar vagas de trabalho nos diversos frigoríficos da região. Bah desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no dia 19, vindo da Guiné, país no centro do surto africano. Pediu refúgio ao governo na cidade de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, no dia 23, e obteve Carteira de Trabalho no dia seguinte, no posto do Ministério do Trabalho em Cascavel.

Transmissão. O percurso completo não foi definido pelo ministério. “Mas isso não é relevante. O que importa é monitorar os passos dados depois de ele apresentar os sintomas”, disse Chioro. Ao contrário do que ocorre com outras doenças, o Ebola não é transmitido durante o período de incubação, apenas quando surgem os sintomas.

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