REUTERS/Paulo Whitaker
REUTERS/Paulo Whitaker

Teste rápido de zika ainda não está disponível na rede pública

Exame aceleraria diagnóstico de síndrome congênita em bebês; laboratório forneceu 220 mil testes, o equivalente a 11% do combinado

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2017 | 17h06

BRASÍLIA - Anunciado como uma poderosa ferramenta para se acelerar o diagnóstico de bebês com  síndrome congênita provocada pela zika e de gestantes com suspeita da infecção, o teste rápido da zika ainda não está disponível na rede pública. Os kits, produzidos pelo laboratório público Bahiafarma, foram comprados pelo Ministério da Saúde em outubro. Ao todo foram adquiridos 3,5 milhões de exames. A promessa era entregar 2 milhões de testes até dezembro e o 1,5 milhão restante, nos primeiros meses de 2017. No entanto, o laboratório forneceu até o momento apenas 220 mil exames, o equivalente a 11% do combinado. 

Questionado, o secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas negou atraso no fornecimento para o Ministério da Saúde. "Adequações nos cronogramas são procedimentos normais",disse. "O importante é que não faltará o teste no momento em que eles forem necessários." De acordo com ele, a ideia é que a entrega seja feita nos próximos meses, quando tradicionalmente é registrado um aumento de casos de doenças ligadas à transmissão pelo Aedes aegypti, entre elas a zika.

A justificativa, no entanto, contraria o que havia sido anunciado no período da compra do teste. Como há uma logística envolvida até os kits chegarem nos centros de atendimento, na época foi informado que o ideal seria o produto ser fornecido com antecedência, para que toda rede de distribuição fosse montada. Além disso, o diagnóstico de bebês com suspeita de microcefalia independe do período de pico da epidemia. De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, dos 10.574 casos suspeitos de microcefalia notificados, 3.144 ainda estão em investigação. O Ministério da Saúde não se manifestou.

Os testes para zika disponíveis no momento no País são feitos por meio da identificação de traços do vírus no material analisado. Uma tecnologia cara, demorada e que pode ser usada em casos limitados. Ela é indicada, por exemplo, quando há suspeitas de que a infecção ainda está em curso. No caso de suspeita de síndrome congênita, o exame pode ser feito por meio da análise de líquido amniótico (algo que não é recomendado) ou do material coletado logo após o parto. Justamente por isso, a notícia do desenvolvimento de um teste de zika foi tão bem recebida pelo Ministério da Saúde e a compra realizada em um período relativamente curto de análise. 

Além da quantidade ser muito menor do que o combinado, não há ainda definição sobre quando os kits serão encaminhados para policlínicas e maternidades brasileiras. Cabe ao Ministério da Saúde entregar os produtos nos Estados que, por sua vez, se encarregam de levar às cidades.

Os testes rápidos produzidos pela Bahiafarma estão no momento na Central Nacional de Distribuição de Insumos (CENADI), no Rio de Janeiro. Ministério da Saúde, Estados e municípios estão ainda definindo quais as regiões prioritárias para entrega da primeira remessa de testes. 

O atraso na entrega dos testes pela Bahiafarma se soma a uma extensa medidas de proteção da população contra a zika anunciadas e que ainda não foram cumpridas. Gestantes integrantes de famílias beneficiárias do Bolsa Família até hoje não recebem repelentes e o controle das bolsas de sangue para a identificação do vírus, outro compromisso assumido pelo ministério, até agora é um mero projeto.

A distribuição de repelentes para gestantes foi anunciada em dezembro de 2015. O leilão para a compra do produto, no entanto, foi feito exatamente um ano depois, dia 6 de dezembro de 2016. No momento, de acordo com Ministério da Saúde, o resultado do pregão está em análise pelo Tribunal de Contas da União. Somente depois da conclusão dessa avaliação é que a licitação será concluída e a compra, providenciada. A empresa vencedora somente vai produzir o quantitativo necessário depois de o contrato ser firmado.

A análise prévia de bolsas de sangue para identificar a presença de zika, por sua vez, foi anunciada em fevereiro de 2016. Naquele mês, o então ministro Marcelo Castro informou que o País desenvolveria uma técnica em parceria com pesquisadores americanos para inclusão do zika no exame NAT, que identifica a presença do vírus (e não anticorpos) no material analisado. A expectativa, em fevereiro, era de que o exame poderia ser testado ainda no primeiro semestre. O Ministério da Saúde, no entanto, vem afirmando que o desenvolvimento do teste ainda está em fase de avaliação.

 

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