Issei Kato/Reuters
Issei Kato/Reuters

Empresa japonesa testa eficácia do medicamento Avigan contra o novo coronavírus

Fujifilm Toyama Chemical planeja testar o medicamento em cerca de 100 pacientes infectados com a covid-19; ensaio clínico durará até o fim de junho

Redação, EFE

01 de abril de 2020 | 04h13

A empresa farmacêutica japonesa Fujifilm Toyama Chemical anunciou nesta quarta-feira, 1.º, o início de testes clínicos no Japão de seu medicamento Avigan para avaliar sua eficácia contra o novo coronavírus.

A companhia planeja testar o medicamento em cerca de 100 pacientes infectados com o novo coronavírus em um ensaio clínico que durará até o fim de junho, informou a emissora pública NHK.

Medicamento

O favipiravir, conhecido no Japão sob o nome comercial Avigan, impede que os vírus copiem seu material genético através de um mecanismo de ação para inibir seletivamente a RNA polimerase envolvida na reprodução do vírus da gripe - o influenza.

O Avigan obteve, em 2014, a aprovação do governo japonês para sua produção e venda como medicamento contra influenza, mas nunca foi distribuído no mercado e não está disponível em hospitais ou farmácias de nenhum país, nem mesmo no Japão.

Isso ocorre porque esse medicamento experimental é usado para tratar certos tipos de influenza "apenas quando ocorre um surto de um vírus novo, onde outros antivirais são ineficazes ou ineficientes" e sob autorização expressa do governo, desde que efeitos colaterais sérios foram apontados - incluindo abortos ou malformações fetais.

O governo japonês tem "uma certa reserva" do medicamento que, segundo o diário econômico Nikkei, atinge cerca de 2 milhões de doses, o que pode não ser suficiente.

Alguns médicos no Japão já usam o Avigan para tratar a covid-19 para fins de pesquisa, mas é necessário um ensaio clínico da empresa e aprovação para distribuição em larga escala.

A Itália, um dos países mais afetados, também deu luz verde para testar a droga em pacientes na Lombardia e Veneto.

A droga Avigan ganhou atenção após um estudo da Universidade de Wuhan, cidade chinesa na qual o vírus se espalhou. Pesquisadores da instituição descobriram que o favipiravir é eficaz no tratamento da doença.

Outros compostos existentes cujo uso está sendo estudado contra a covid-19 são a cloroquina e hidroxicloroquina, usados ​​contra a malária, ou lopinavir-ritonavir, contra o HIV.

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