Tasso Marcelo/AE
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Tire suas dúvidas sobre a gripe H1N1

Mortes relacionadas ao vírus cresceram rapidamente no início de 2016; veja as respostas de perguntas mais comuns sobre a doença

Vitor Tavares, O Estado de S. Paulo

30 Março 2016 | 16h24

SÃO PAULO - O aumento de casos de gripe H1N1 desde o fim do ano passado colocou população e os governos em estado de alerta, principalmente no Estado de São Paulo. Para tentar combater a propagação da doença, a campanha de vacinação foi antecipada para 11 de abril na Grande São Paulo, quando poderão ser imunizados idosos, crianças maiores de 6 meses e menores de 5 anos e gestantes. Os profissionais de saúde passam a receber a dose da vacina no dia 8.

Para esclarecer dúvidas, o Estado conversou com a infectologista Ana Freitas Ribeiro, médica do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, e avaliou as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Entenda, a seguir, o que é a doença:

1 - Qual é a diferença entre os sintomas da gripe H1N1 em relação à gripe comum?

Os sintomas gerais das gripes são febre, dor de garganta, cabeça e no corpo, coriza, mal estar e tosse seca, com início súbito. As crianças também podem apresentar náuseas e vômitos.  A gripe H1N1 apresenta sintomas semelhantes aos outros tipos de gripe, mas com mais chance de complicações, como pneumonia viral ou bacteriana, sinusite, otite ou piora de condições pré-existentes, como doenças cardíaca ou pulmonar. O risco de hospitalização é maior em pacientes portadores de doenças crônicas, obesidade, crianças e gestantes. Geralmente, os sintomas duram de três a sete dias, podendo a tosse e a dor no corpo persistirem por mais tempo.

2 - Quando devo procurar o médico?

Todos os pacientes que apresentem quadro de gripe e façam parte do grupo de risco –  gestantes, puérperas (mulheres que acabaram de dar à luz), portadores de doenças crônicas, obesidade (especialmente a mórbida), síndrome de Down, doenças neurológicas e do desenvolvimento, crianças menores de 5 anos e idosos –  devem procurar atendimento precocemente, preferencialmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas.

Para os demais pacientes, as unidades de saúde devem ser procuradas imediatamente caso apareçam sintomas como falta de ar, cansaço, piora de doença crônica, persistência ou aumento da febre por mais de três dias.

3 - Como é feito o tratamento?

Inicialmente, o tratamento é realizado com medicamentos que aliviem alguns sintomas, repouso e líquidos. Para os pacientes com sinais de agravamento e com condições de risco para complicações, é indicada a utilização de antivirais, em especial oseltamivir, conhecido comercialmente como Tamiflu.

4 – Onde encontrar os remédios?

Os medicamentos, distribuídos pelo Ministério da Saúde, devem ser prescritos pelo médico. Cada município tem sua rede de unidades de saúde que atendem os pacientes. Para os pacientes com agravamento, o atendimento e o tratamento devem ser realizados nos hospitais.

5– Se o paciente não iniciar o tratamento rapidamente, ele corre mais riscos?

De acordo com a infectologista Ana Freitas Ribeiro, um estudo realizado em 2009 no Estado de mostrou benefício na redução de óbitos por H1N1, com o tratamento antiviral iniciado até 72 horas após o início dos sintomas. “Para todos os pacientes com sinais de agravamento, o tratamento com antiviral deve ser iniciado independente do tempo entre o início dos sintomas e o atendimento.”

6 – Qual principal tese para o surto precoce de H1N1 em 2016?

O deslocamento de viajantes para regiões onde a circulação de influenza é alta durante o inverno, principalmente países do Hemisfério Norte, como Estados Unidos e Canadá, é apontado como razão para o H1N1 ter chegado com força durante o verão brasileiro.  Fenômeno parecido foi registrado em 2013.

7 – Quem deve tomar a vacina?

A vacina disponível no serviço público deve ser tomada pelos grupos de maior risco e estará disponível a partir do dia 11 na capital paulista e região metropolitana de São Paulo. A campanha de vacinação de influenza anual é realizada nas unidades básicas de saúde e outros serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). As vacinas também ficam disponíveis em clínicas particulares. Por causa do aumento da procura neste início de ano, pessoas têm relatato falta do imunizante e elevação do preço.

8 – Quais são os grupos de risco?

Crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, puérperas, trabalhador de saúde, povos indígenas, indivíduos com 60 anos ou mais de idade, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade, funcionários do sistema prisional, pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis.  De acordo com informe técnico da Campanha Nacional de Vacinação de Influenza do Ministério da Saúde,  a vacinação em pacientes com doenças crônicas necessita de prescrição médica, especificando o motivo da indicação da vacina.

9 – A vacina é mesmo eficiente?

A vacina contém três tipos de influenza, A (H1N1), A (H3N2) e B. Anualmente, a vacina é renovada, considerando as recomendações da Organização Mundial da Saúde, a partir de informações sobre modificações do vírus. Em estudo realizado pelo médica Ana Ribeiro foi comprovada a redução de 74% nas internações na unidade de terapia intensiva associadas à gripe em crianças, durante o período de maior transmissão. Em adultos, a redução foi de 71%.

10 – Como acontece a transmissão?

A transmissão ocorre pela via respiratória, por contato próximo com doentes de gripe, durante a fala, espirro e tosse. Há possibilidade também da transmissão ocorrer pelo contato da mão na boca e olhos, após a exposição à superfície contendo o vírus. O vírus pode começar a ser transmitido até um dia antes do início dos sintomas. O período de transmissão dura sete dias em adultos e até 14 dias em crianças.

11 – Como se prevenir?

A vacinação é a principal medida de prevenção. “É importante que os doentes fiquem em casa, evitem deslocamentos”, disse a infectologista Ana Freitas Ribeiro. Os pacientes com gripe devem cobrir nariz e boca ao tossir e espirrar. Outros cuidados são: lavar cuidadosamente a mão com água e sabão ou com álcool em gel; e evitar tocar olhos, nariz e boca.

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