Todos os indivíduos com hepatite C devem ser tratados?

A infecção crônica pelo vírus da hepatite C não costuma apresentar sintomas. Ao fazer exames de rotina ou doar sangue, a pessoa pode ser surpreendida com esse diagnóstico. A evolução arrastada dessa doença crônica, que leva à cirrose em apenas 20% dos casos, faz com que o tratamento seja indicado apenas quando a lesão hepática está mais avançada. Alguns pacientes se revoltam e questionam a "necessidade" ou "indicação" de esperar uma piora da doença para se submeter ao tratamento. No entanto, toda pessoa de bom senso sabe que a desinformação e a pressa são mal conselheiros. O tratamento, além de dispendioso, é prolongado e pode ocasionar uma série de problemas ao paciente, chamados de "efeitos colaterais". Ao tomar a decisão de tratar ou não é preciso colocar numa balança os efeitos benéficos e os riscos do tratamento, que tem eficácia global em 50% a 60% dos pacientes. Uma conversa longa e franca com seu médico é indispensável antes de decisões ou julgamentos precipitados. Diferentes pesquisas indicam que, num futuro próximo, haverá drogas mais eficazes e mais seguras para o tratamento. Nos casos de doença leve vale a pena esperar. (*) Professora doutora de hepatologia na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

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