Tomografias na infância podem triplicar risco de câncer cerebral, diz estudo

Pesquisadores britânicos alertam para níveis de radiação mas avaliam que benefícios do exame ainda se sobrepõem aos riscos.

Jane Dreaper, BBC

07 de junho de 2012 | 13h03

Crianças que se submetem a muitos exames de tomografia computadorizada têm um risco três vezes maior de desenvolver câncer no cérebro ou leucemia, aponta um estudo feito pela Universidade de Newscastle, na Grã-Bretanha.

Os pesquisadores analisaram mais de 180 mil fichas médicas do Serviço de Saúde Britânico (NHS, na sigla em inglês) de pacientes com menos de 21 anos que fizeram o exame entre 1985 e 2002.

Como os casos de câncer causados por exposição à radição levam mais tempo para se manifestarem, o estudo analisou dados de incidência da doença até 2009.

O grupo ressalta que apesar dos resultados encontrados, de forma geral os benefícios do exame se sobrepõem aos riscos e que na avaliação final é necessário limitar ao máximo o número de repetições.

No artigo publicado no renomado periódico científico The Lancet, os britânicos recomendam ao setor que se pesquisem formas de diminuir a quantidade de radiação à qual os pacientes ficam expostos quando submetidos a tomografias.

Alan Craft, um dos autores do estudo, diz que os riscos fazem parte do processo. "É importante que os pais tenham a certeza de que se um médico na Grã-Bretanha sugerir que uma criança precisa de uma tomografia computadorizada, os riscos de radiação e câncer terão de ser levados em consideração".

Mesmo assim, "há um risco muito maior em não fazer uma tomografia quando for solicitada", pondera.

Durante as tomografias, um tubo de raio-x gira em torno do corpo do paciente para produzir imagens detalhadas dos órgãos internos e outras partes do corpo.

O procedimento é sugerido após acidentes graves, para investigar lesões internas, em casos de doenças pulmonares e muitas outras situações.

Tumores raros

Um dos dados apurados pela pesquisa aponta que a exposição à radiação causou um novo caso de leucemia e um outro caso de câncer no cérebro a cada 10 mil tomografias computadorizadas realizadas na região da cabeça em crianças com menos de dez anos de idade.

Mark Pearce, epidemiologista da Universidade de Newcastle que liderou o estudo, avaliou os resultados.

"Nós encontramos aumentos significativos no risco de leucemia e tumores cerebrais em pessoas que fizeram tomografias computadorizadas na infância e adolescência".

Ele acrescenta que as doses de radiação impostas pelo exame foram reduzidas ao longo dos últimos anos mas deixa claro que os fabricantes dos aparelhos e a comunidade médica internacional devem ter como prioridade reduzi-las ainda mais.

Hilary Cass, presidente do Conselho Real de Pediatria e Saúde Infantil, diz que as duas variedades de câncer ainda são consideradas raras.

"Nós temos que levar muito a sério a ligação entre repetidas tomografias computadorizadas e o aumento do risco destes tipos de câncer entre crianças e jovens, mas com os dois tumores ainda sendo raros, o risco absoluto permanece baixo". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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