Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Total de mortes em SP por covid-19 deve dobrar até fim do mês e chegar a 22 mil, diz gestão Doria

Centro de Contingência do Coronavírus fará acompanhamento diário e poderá indicar fechamento de áreas onde dados piorarem

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2020 | 15h51

O governo de São Paulo projeta que ao menos mais 11 mil pessoas devem morrer por causa do novo coronavírus nos próximos 18 dias. A revelação foi feita pelo coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, o infectologista Carlos Carvalho, nesta quarta-feira, 10. Dessa forma, o total de mortes pode chegar a até 22 mil ainda neste mês. 

Nesta quarta, o Estado bateu, pelo segundo dia seguido, o recorde estabelecido até então de mortes nas últimas 24 horas, com 340 óbitos. O recorde anterior, de terça-feira, 9, era de 334. Antes disso, o recorde era do dia 2 de junho, com 327 registros.

“Está projetado para até o final de junho, dia 28, uma expectativa de 200 mil casos, variando entre 190 mil a 265 mil, se a população do município e da região se mantiver com pelo menos 50% de isolamento social”, disse Carvalho, citando um dado já divulgado na semana passada.

Agora, ele complementou. “A perspectiva de óbitos que talvez nos cheguemos no final do mês, se continuar nessa mesma proporção, é na faixa de 20 mil ao final do mês, variando de 16 mil a 22 mil. Isso sempre mantendo essa faixa de isolamento”, disse, ainda citando a casa dos 50% de isolamento. 

As informações foram prestadas na entrevista em que o governador João Doria (PSDB) anunciou o primeiro recuo no plano de abertura econômica em meio à quarentena do coronavírus. O Plano São Paulo classificou as regiões administrativas do Estado segundo cores entre vermelho, laranja, amarelo e verde, em que a primeira indica restrição total e a última, uma abertura quase que total da economia, de acordo com evolução da doença e a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS). Entenda como funciona o plano.

Nesta coletiva, três regiões que estavam nas cores amarela e laranja regrediram para a cor vermelha. Já a Grande São Paulo, a Baixada Santista e Vale do Ribeira, que eram vermelhas, puderam migrar para a cor laranja, o que libera parcialmente shoppings, escritórios e o comércio de rua.

Carvalho afirmou ao Estadão que essa reavaliação de cada cidade, que era feita semanalmente, será feita de forma diária pelo Centro de Contingência do Coronavírus. Assim, a área médica poderá determinar o fechamento de uma região todos os dias, caso os indicadores de controle assim apontem, e não semanalmente, como as secretarias de Desenvolvimento Econômico e de Desenvolvimento Regional haviam divulgado.

O infectologista disse também que só a prática dirá como os índices de isolamento social, vitais para o controle da doença, vão se comportar diante da liberação da abertura. “Temos de monitorar. É preciso ver se, com a liberação, as pessoas vão para as ruas e as lojas, porque não aguentam mais (ficar em casa), ou se vão continuar em casa, porque têm medo da doença”, disse. 

As áreas econômicas farão avaliação do dados semanalmente. A cada semana, a avaliação será para decidir se a região continua com a mesma classificação de cor ou se precisa retornar à cor anterior. A cada duas semanas, se ela continua na mesma cor ou se pode avançar para a cor seguinte na escala de liberação.

 

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