Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Trabalho de parto está 2,6 horas mais longo que há 60 anos, diz estudo

Pesquisa indica que opção por cesáreas também aumentou; etapa inicial é a que dura mais

Reuters

02 de abril de 2012 | 11h08

Um estudo do governo dos Estados Unidos divulgado nesta segunda-feira, 2, indica que a duração média de um trabalho de parto aumentou em duas ou três horas os últimos 60 anos. A pesquisa é do Instituto Nacional de Saúde americano e sugere que os médicos poderiam redefinir o que consideram um "trabalho de parto normal".

 

Os dados, publicados no American Journal of Obstetrics & Gynecology (Jornal Americano de Obstetrícia e Ginecologia, em português), apontam que o tempo adicional provém da etapa inicial do parto, a maior de todo o processo, antes da etapa de "empurrar" o bebê para fora.

 

As mães também mudaram e os filhos também mudaram. Ambos são maiores e pesam mais, segundo a pesquisa. "Quando levamos em conta esses dados demográficos, o trabalho de parto é ainda mais longo", afirmou a chefe da equipe de pesquisa, Katherine Laughon, Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano.

 

Katherine afirmou que o instituto não conseguiu identificar as razões da diferença do tempo, mas uma das explicações parciais seria o alívio da dor proporcionado pela anestesia epidural, que é bem mais comum agora que já 50 anos. A anestesia pode retardar um parto em um período de 40 a 90 minutos.

 

Os dados têm como base a análise de dois estudos governamentais realizados em décadas diferentes. O primeiro, realizado entre 1959 e 1966, incluía 39,5 mil mulheres gestantes. O outro considerou 98 mil mães entre 2002 e 2008. Todas passaram por um trabalho de parto espontâneo, ou seja, não induzido.

 

As mães do segundo estudo passaram cerca de 2,6 horas a mais na primeira etapa do trabalho de parto em comparação às da década de 60. As mulheres da pesquisa mais recente também foram mais propensas a usar a anestesia - 55% delas utilizaram a técnica, ante apenas 4% do grupo mais antigo. A comparação também mostrou aumento na cesárea. Apenas 3% das mulheres dos primeiro estudo usaram a técnica, ante 12% no segundo grupo.

 

Katherine lembrou que muitas mulheres agora preferem parto induzido ou cesáreas planejadas. Mas quaisquer que sejam as razões do aumento do tempo total, os médicos precisariam redefinir o que classificam como "trabalho de parto normal", conceito que atualmente tem base nos hábitos de 60 anos atrás.

 

A conclusão da pesquisadora é que já há uma nova concepção e que "precisamos redefinir o que é 'anormal' em um trabalho de parto e o momento adequado para fazermos uso das técnicas de intervenção de que dispomos". 

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