Transfusão sanguínea pode ser prejudicial, dizem cientistas

A chave está no óxido nítrico, que dilata os vasos sanguíneos e permite a transferência de oxigênio

Efe

09 de outubro de 2007 | 05h11

Estudos divulgados nesta terça-feira afirmam que as transfusões de sangue poderiam ser prejudiciais, porque o sangue doado perde um gás que permite a transferência de oxigênio aos tecidos. "Milhões de pacientes recebem transfusões com sangue cuja capacidade de levar oxigênio está comprometida", assinalaram os pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Duke, que publicaram os estudos na revista "Proceedings of the Natural Academy of Sciences". "O sangue pode salvar uma vida, mas não ajuda da forma como esperávamos e em muitos casos pode ser prejudicial", disse Jonathan Stamler, o pesquisador-chefe de um dos estudos.  A chave está no óxido nítrico, um componente do sangue, o qual dilata os vasos sanguíneos abertos e assim permite a transferência de oxigênio dos glóbulos vermelhos aos tecidos. Os estudos demonstram que este gás começa a se descompor quase que imediatamente depois que o sangue sai do corpo do doador. "Surpreendeu-nos a velocidade com que o sangue muda. Vimos sinais claros do diminuição do óxido nítrico nas primeiras três horas", afirmou Timothy McMahon, que dirigiu um estudo que analisou durante intervalos regulares a composição química do sangue doado. Sem óxido nítrico, os vasos capilares não se dilatam, os glóbulos vermelhos se acumulam nas artérias e os tecidos não recebem oxigênio, segundo Stamler, cujo estudo descreve pela primeira vez a função desse gás. "O resultado pode ser um ataque do coração e inclusive a morte", alertou o médico. Nos últimos cinco anos, vários estudos demonstraram que as pessoas que recebem transfusões sanguíneas têm mais probabilidade de sofrer um derrame cerebral, um ataque cardíaco e até mesmo morrer. Além de abrir os vasos, o óxido nítrico dá flexibilidade aos glóbulos vermelhos. À medida que seu nível cai, essas células endurecem, o que torna mais difícil que se deformem para passar pelos minúsculos vasos capilares, segundo os especialistas de Duke. Em um experimento para tentar reverter o problema, Stamler e sua equipe acrescentaram óxido nítrico ao sangue injetado em cachorros, o que aumentou o fluxo sanguíneo que chegava ao coração dos animais. "Isto mostra que acrescentar óxido nítrico ao sangue humano poderia em teoria melhorar sua capacidade de dilatar os vasos sanguíneos e com isso prevenir os ataques do coração e inclusive a morte", declarou Stamler.  Em todo caso, os cientistas recomendaram que testes clínicos sejam realizados em grande escala com seres humanos para prová-lo. "Não há dúvida de que as transfusões de sangue podem ser prejudiciais", disse Stamler. "Há dúvidas sobre a gravidade do problema", acrescentou. Nos Estados Unidos, 4,8 milhões de pessoas precisam de transfusões a cada ano, as quais recebem 14 milhões de unidades de glóbulos vermelhos. O sangue doado é guardado por um período máximo de 42 dias, após o qual é destruído.

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