Tratamento da infecção urinária terá recomendação única
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Tratamento da infecção urinária terá recomendação única

Uma das consequências da infecção urinária é a crescente resistência bacteriana aos antibióticos; doença nem sempre é tratada da forma adequada e um dos princípios é o uso correto do antibiótico na dose e no tempo certo

Sociedade Brasileira de Infectologia, Media Lab Estadão
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03 de setembro de 2019 | 14h39


Doença infecciosa mais comum no mundo, a infecção urinária é, em geral, tratada por urologistas, ginecologistas e infectologistas. No mês passado, em São Paulo, representantes das três especialidades se reuniram para discutir os desafios atuais de cada uma delas, com o objetivo de publicar uma recomendação comum para o tratamento apropriado.

Causado por diferentes bactérias, o problema nem sempre é tratado da forma correta, segundo os especialistas presentes no evento. Uma das consequências disso é a crescente resistência bacteriana aos antibióticos. “Hoje, esse tratamento é um desafio”, explica a infectologista Ana Cristina Gales, palestrante do evento e coordenadora do Comitê de Resistência Antimicrobiana da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Outro aspecto importante que vale enfatizar é que a Escherichia coli é a bactéria que mais causa a infecção do trato urinário. Porém, outras bactérias provocam esse tipo de infecção e a sensibilidade aos antimicrobianos também pode variar.

De acordo com Ana Cristina, a infecção urinária é atendida na maioria das vezes em unidades de pronto atendimento, porque os pacientes apresentam um quadro agudo de infecção que os impede de esperar por uma consulta. Mas quando a doença é recorrente - o que os médicos chamam de infecção urinária de repetição – a pessoa procura especialistas, como ginecologistas, urologistas ou infectologistas. "Nesse encontro, como grande diferencial, conseguimos unir três sociedades médicas e faremos um documento conjunto. Debatemos bastante o tema e vamos nos reunir novamente para elaborar uma recomendação multidisciplinar", diz Sergio Cimerman, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Sebastião José Westphal, que também participou do evento, o objetivo é que a recomendação venha a ser validada pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). "Isso nos dará um norte em termos de tratamento e de respaldo legal para toda a categoria médica", afirma Westphal.

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Sem sintomas, sem tratamento
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A infecção urinária é a doença infecciosa mais comum no mundo. Estimativas apontam que cerca de 50% das mulheres e 10% dos homens terão o problema em algum momento da vida. Mas cada especialidade tem preocupações diferentes em relação ao tratamento - que mudou muito nos últimos 10 anos -, portanto é preciso harmonizar suas práticas. Segundo Westphal, o mais importante é que essa diretriz permitirá orientar a educação médica no Brasil. “Constatamos que não estamos ainda conseguindo transmitir ao médico da família, ao clínico geral, ou ao socorrista, novos conceitos de maneira que usem os antibióticos com mais parcimônia e com indicações mais precisas”, afirma.

Um dos pontos principais da nova recomendação - e um consenso entre os médicos das três especialidades -, segundo a ginecologista Patrícia de Rossi, que representou a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), é que as pessoas sem sintomas não devem ser tratadas, mesmo quando as bactérias estão presentes na urina. A especialista afirmou que esse é um dos fatores que tem aumentado da resistência das bactérias aos antibióticos.

Os principais sintomas da infecção urinária são a dor na hora de urinar e a vontade de ir ao banheiro a toda hora, sem conseguir esvaziar a bexiga. "As pessoas sem sintomas não devem ser tratadas, mesmo quando as bactérias estão presentes na urina, exceto no caso de gestantes e de pessoas que serão submetidas a determinadas cirurgias. Até 5% das mulheres jovens e 30% após a menopausa têm essa condição, chamada de bacteriúria assintomática", diz Patrícia.

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