FELIPE RAU/ESTADÃO
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Tratamento de hérnia de disco avança no País

Problema que levou ao corte de Varejão e assustou Fabiana Murer pode ser resolvido com fisioterapia e procedimento cirúrgico pouco invasivo

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2016 | 03h00

Problema que causa dores na coluna e perda da força, a hérnia de disco tem sido um fantasma para atletas olímpicos brasileiros. Responsável pelo corte do jogador de basquete Anderson Varejão e por dar um susto na saltadora Fabiana Murer, a doença atinge mais de 5 milhões de brasileiros atualmente, mas pode ter um tratamento de sucesso com fisioterapia e procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos.

“É um porcentual pequeno das pessoas que precisam de cirurgia. A tendência é ser menos invasivo e isso resolve 89% dos casos. As grandes instituições no Brasil e no mundo trabalham sem cirurgia em coluna, porque é possível tratar com fisioterapia”, explica o fisioterapeuta e diretor do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral, Helder Montenegro.

O problema é causado por questões genéticas, mas também por má postura, sedentarismo e obesidade - e pode aparecer em pessoas que exercem atividades que forçam a coluna. Ela se caracteriza pela degeneração do disco, uma estrutura localizada entre as vértebras. Após esse processo, ele se desprende e começa a causar compressão em estruturas nervosas, o que provoca a dor.

“Quando é na região lombar, que é o tipo mais comum, a pessoa sente uma dor na coluna que irradia para a perna, perda da força nos membros e pode até ter perda na capacidade de controle das necessidades fisiológicas”, afirma Alexandre Fogaça Cristante, ortopedista do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC).

Cristante diz que 80% das pessoas terão lombalgia em algum momento de suas vidas e cerca de 10% delas terão hérnia de disco.

Sucesso. Ortopedista e cirurgião de coluna do Hospital Samaritano, João Paulo Bergamaschi destaca também que, atualmente, os casos cirúrgicos são minoria e o tratamento se tornou menos invasivo nos últimos cinco anos.

“No caso de cirurgia para tirar a hérnia, há dez anos, fazíamos uma incisão de dez centímetros e a recuperação do paciente variava de dois a seis meses, com sucesso de 70% a 80%. Hoje, no procedimento por vídeo, temos incisão de menos de um centímetro e, de dois a três dias, a pessoa já retoma as atividades normais. E 90% dos pacientes têm melhora dos sintomas.” Dependendo do procedimento, a hérnia pode ser aspirada ou removida com tubos de fibra óptica.

O professor universitário Rodrigo Obata Mouriño, de 42 anos, relata que os primeiros sintomas apareceram há dez anos. “Fui espirrar e caí no chão. Não consegui me levantar, por causa da dor nas costas. Passados dez anos, comecei a sentir um formigamento no dedão do pé esquerdo que aparecia e sumia. Também comecei a sentir uma dor nas costas que irradiava para a perna.”

A situação se agravou e ele lembra que não conseguia ficar mais de três minutos em pé, o que o afastou das salas de aula por seis meses. Há três anos, se submeteu a uma cirurgia que resolveu o problema com um pequeno corte. “A cirurgia durou apenas uma hora e meia e eu voltei para casa no mesmo dia. Hoje, não sinto mais nada.”

Rio-2016. Em seu Facebook, na terça-feira, a atleta Fabiana Murer disse que está fazendo tratamento com fisioterapia e está evoluindo. “Já fiz até um treino de salto completo. Estou evoluindo rapidamente e estou me dedicando ao máximo para chegar 100% na Olimpíada.”

Segundo Pil Sun Choi, coordenador do Grupo de Coluna Minimamente Invasiva do Hospital São José da Beneficência Portuguesa de São Paulo, a eficácia do tratamento sem cirurgia não se dá apenas com atletas. “Ele é um paciente que se beneficia com as técnicas minimamente invasivas, mas uma pessoa normal, um esportista de fim de semana, também pode ter um tratamento eficiente. Felizmente, 95% são curados em menos de um mês com tratamentos não cirúrgicos.”

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