Tratamento envolve psicoterapia e até remédio para depressão

HC já teve 400 pacientes do tipo; alguns viciados utilizam internet para viver outras compulsões, como em compras

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2017 | 03h00

SÃO PAULO - Com a crescente facilidade de acesso a tecnologias, médicos de alguns dos principais hospitais do País já recebem em seus ambulatórios pacientes com diagnóstico de dependência em plataformas como videogames, internet ou celulares.

Nos 11 anos de existência do Programa de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, cerca de 400 pacientes já foram atendidos. O tratamento dura quatro meses e meio e inclui sessões de psicoterapia e, em alguns casos, uso de medicação para doenças associadas, como depressão ou transtorno bipolar.

“No tratamento, os pacientes vão sendo orientados a como lidar com os gatilhos que os fazem usar demais a tecnologia. Eles enxergam as situações em que usam os jogos ou outras plataformas para compensar dificuldades ou tristezas, entendem o ciclo da dependência e vão começando a ‘desmamar’”, explica Cristiano Nabuco, coordenador do programa.

No Ambulatório de Tratamento de Dependência de Comportamentos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que recebe pacientes com outros transtornos de impulso, como vício em sexo ou compulsão alimentar, 30% dos atendidos são dependentes digitais. “Há dois tipos de dependente digital: o puro, que tem a internet como atividade fim, ou seja, fica baixando músicas, no bate-papo, em grupos de discussão. E o dependente aplicado, que usa a internet para alimentar outro vício, como compras ou sexo”, diz Aderbal Vieira Jr., coordenador do ambulatório.

No núcleo de atendimento montado pelo Instituto Delete na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mais de 500 pacientes já passaram por tratamento desde 2012, quando o serviço foi criado. 

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