Tratamento para Aids 'está fracassando' na África, diz estudo

Um terço dos pacientes morre ou interrompe medicação após dois anos, afirmam técnicos.

BBC Brasil, BBC

16 de outubro de 2007 | 20h20

Mais de um terço dos portadores do vírus HIV, causador da Aids, que estão sendo medicados hoje na África sub-saariana morrem ou interrompem seu tratamento dois anos após iniciá-lo, diz um estudo feito por especialistas americanos.Os pesquisadores constataram que muitos pacientes estão iniciando o tratamento com a medicação anti-retroviral muito tarde, enquanto outros têm dificuldade de viajar para clínicas distantes.A pesquisa também revelou que quando pacientes têm de pagar pela medicação, alguns interrompem o tratamento.Índices de sucesso no tratamento também dependem do tipo de programa oferecido e do país.Detalhes sobre o estudo, feito por especialistas da Boston University School of Public Health, foram publicados online pela Public Library of Science.Os pesquisadores estudaram programas de tratamento de portadores do HIV com medicação anti-retroviral em 13 países da África sub-saariana.Eles descobriram que dois anos após o início do tratamento, apenas 61,6% de todos os pacientes ainda estavam recebendo a medicação.Segundo os cientistas, há muitas razões para a interrupção do tratamento.Muitos haviam começado a tomar a medicação muito tarde e morreram poucos meses após o início do tratamento.Outros desistiram por dificuldades de acesso à medicação - por exemplo, por morarem longe da clínica que oferecia o remédio.Também há evidências, segundo os pesquisadores, de que alguns pacientes interromperam o tratamento por causa do custo da medicação - nos programas onde o paciente tinha de pagar pelo remédio.Falando à BBC, o pesquisador Christopher Gill, da Boston University, explicou: "Receber a medicação representa um grande investimento de tempo pelo paciente, então se você mora a oito quilômetros de distância da clínica mais próxima, tem que ir lá uma vez por mês e não tem transporte próprio, o investimento é grande.""E se você está se sentindo bem e está preocupado em conseguir o suficiente para comer, manter um emprego ou achar um emprego, talvez você tenha a tentação de colocar o tratamento em segundo plano."O diretor da Associação de Pessoas com Aids do Quênia, disse à BBC que pobreza, falta de instrução e estigma são parte do problema."Se as pessoas não são ensinadas direito a tomar a medicação, algumas interrompem o tratamento, e se fazem isso, desenvolvem resistência à droga", disse Roland Gomol Lenya."Também descobrimos que algumas pessoas sofrem de estigma. Em alguns ambientes de trabalho, elas não têm como trazer os medicamentos e tomá-los livremente.""As pessoas que ministram os anti-retrovirais deveriam levar em conta também o elemento da pobreza, porque algumas vezes, por causa da pobreza, as pessoas não conseguem acesso aos centros". O estudo mostra que os indíces de retenção de pacientes variam bastante entre programas diferentes oferecidos na África.Um programa na África do Sul manteve 85% dos pacientes após dois anos, enquanto um outro, em Uganda, manteve apenas 46% dos pacientes após o mesmo período.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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