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Caixas com carregamento de ivermectina PRF

Tratamento precoce racha organizações e faz médicos irem ao Ministério Público contra o CFM

Para o Conselho Federal de Medicina, diante da falta de alternativas terapêuticas, cabe ao médico, com o paciente, decidir que remédio usar. Esse, porém, não é o entendimento de outras entidades científicas, que destacam a ineficácia e sugerem banir o chamado kit covid 

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2021 | 05h00

A adoção do chamado tratamento precoce da covid-19, que reúne medicamentos ineficazes ou ainda sem evidência contra a doença, já provoca racha em entidades médicas e levou alguns profissionais a entrarem com representação no Ministério Público Federal contra o Conselho Federal de Medicina (CFM).

Embora diversos estudos científicos já tenham mostrado que drogas como a hidroxicloroquina e a azitromicina não funcionam contra o coronavírus, médicos de todo o País continuam a prescrevê-las, geralmente combinadas com outras medicações e vitaminas em uma composição que ficou conhecida como kit covid. A distribuição do kit passou a ser adotada por algumas prefeituras.

A prescrição desses remédios tem aval do CFM, que, em abril de 2020, emitiu parecer autorizando os médicos a indicarem hidroxicloroquina e azitromicina. Na época, ainda não havia evidências definitivas sobre a eficácia das drogas.

Um ano depois, porém, com vários estudos demonstrando que elas não reduzem o risco de agravamento da doença, o conselho mantém o parecer, apoiado no argumento da autonomia médica. Para o CFM, diante da falta de alternativas terapêuticas contra a doença, cabe ao médico, com o paciente, decidir que remédio usar.

Esse, porém, não é o mesmo entendimento de outras entidades médicas. Em março, a Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou documento assinado por dezenas de sociedades científicas e associações federadas em que defendia o banimento do uso desses fármacos. Por iniciativa própria, a AMB colocou como signatária todas as suas 81 associadas, mas, após a divulgação do documento, 15 delas pediram para ter seus nomes retirados do documento.

“Incluímos todas por serem afiliadas da AMB e porque queríamos dar protagonismo a elas, achando que todas iriam aderir. Esqueci de algo fundamental: nosso País está polarizado e tem diretores de entidades que foram contrários. Olhando agora, não deveríamos ter feito dessa forma”, afirmou na época César Eduardo Fernandes, presidente da AMB, reconhecendo o racha na categoria.

Entre as sociedades que se manifestaram publicamente contra a carta da AMB estão a Associação Brasileira de Psiquiatria e a Associação Nacional de Medicina do Trabalho. Em nota, a última defendeu que a relação entre médico e paciente é “personalíssima, fundamentada na confiança, empatia e respeito, e o tratamento é prerrogativa do médico assistente, como ocorre em qualquer outra doença”.

O Estadão apurou que o episódio criou conflitos mais calorosos entre as entidades. Alguns diretores de sociedades científicas que ainda apoiam o “tratamento precoce” acusaram a AMB de estar sendo influenciada por razões políticas. “Isso foi por causa do grupo de esquerdopatas que está no comando da associação”, escreveu um dos diretores em um e-mail.

O presidente do CFM, Mauro Ribeiro, disse ao Estadão que a divergência foi um exemplo da divisão observada entre os médicos e que nenhuma entidade “é detentora do saber”, em alusão à postura da AMB.

Omissão

Para além das brigas das entidades, médicos inconformados com a manutenção da postura do CFM sobre a prescrição dessas drogas decidiram agir por conta própria. Foi o caso do cardiologista Bruno Caramelli, professor associado da Faculdade de Medicina da USP.

Sozinho, ele entrou com representação no MPF-SP, pedindo aos procuradores a abertura de inquérito “para apurar a responsabilidade civil, administrativa ou penal da diretoria do CFM” quanto ao tema.

Na peça jurídica, o médico classifica o posicionamento do conselho de “omisso e grave nas providências que lhe caberiam tomar contra a disseminação da falsa ideia de existência de tratamento precoce eficaz contra a covid-19”.

À reportagem, o médico afirmou que decidiu entrar com a representação pela preocupação de que a crença no "tratamento precoce" esteja levando a população a não seguir outras orientações sanitárias. “Não dava para ficar parado. Essa suposta bala de prata está tirando a concentração das pessoas para fazerem o isolamento e seguirem outras medidas de proteção.” O cardiologista também organizou um abaixo-assinado online pedindo que o CFM condene o “tratamento precoce”.

Após a representação, outros 29 médicos souberam da iniciativa de Caramelli e se juntaram ao colega no pedido, como explica a advogada e juíza federal aposentada Cecília Mello, representante do grupo. “Fizemos uma adesão desses médicos naquela mesma representação, levando também fatos novos que surgiram , como relatos de efeitos colaterais dessas medicações”, comenta ela.

O MPF afirma que ainda está em fase de apuração de fatos para decidir se instaura ou não o inquérito. O CFM disse que a sua coordenação jurídica “não acusa, até o momento, a chegada de uma representação” do MPF-SP sobre esse assunto.

MP de São Paulo investiga situação desde janeiro

Antes mesmo de receber a representação de médicos contra o CFM, o Ministério Público Federal em São Paulo já apurava a conduta do órgão em relação ao “tratamento precoce”.

Em 20 de janeiro, dentro de um procedimento de acompanhamento de política pública relacionado à covid-19, os procuradores paulistas enviaram ofício dirigido ao presidente do CFM, Mauro Ribeiro, questionando, entre outros pontos, se o órgão, diante de novas evidências científicas, pretendia rever o parecer de 2020 que autoriza a prescrição de hidroxicloroquina e azitromicina.

Sem receber retorno do conselho às perguntas, o MPF reenviou o questionamento em 12 de fevereiro e teve como resposta do CFM o argumento da autonomia médica. O MPF voltou a enviar ofício em 30 de março com novas evidências, desta vez de possíveis danos causados pelas medicações e deu 15 dias para a resposta, que ainda não foi enviada.

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'Prescrever kit covid não é autonomia, é erro', diz autor de representação contra o CFM

Bruno Caramelli, cardiologista e professor da USP, acredita que Conselho Federal de Medicina deveria condenar a prescrição de medicamentos ineficazes contra o coronavírus

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2021 | 05h00

Bruno Caramelli, cardiologista e professor da USP, entrou com representação no Ministério Público Federal contra o Conselho Federal de Medicina por ainda permitir a prescrição de medicamentos para tratamento precoce da covid-19. Ao Estadão, ele explica por que decidiu bater de frente com a entidade.   

Como a crença no tratamento precoce está prejudicando a resposta à pandemia no Brasil?

Primeiramente, porque você está tirando as pessoas do foco daquilo que funciona. Isso é o mais cruel. Quando aquilo que funciona exige sacrifício, exige ficar em casa, exige álcool em gel, máscara e, ao mesmo tempo, você tem ao alcance das mãos um medicamento vendido sem receita que supostamente vai te proteger, a pessoa prefere não fazer o isolamento. É muito tentador. Segundo, existem efeitos colaterais dessas medicações. Eu não sou contra a autonomia, mas isso não é autonomia, é erro médico. Autonomia é eu, por exemplo, escolher um determinado tratamento quando eu tenho três ou quatro opções comprovadas cientificamente. No caso do tratamento precoce, não há eficácia e o CFM lava as mãos. Ele deveria, além de não apoiar, condenar. É isso que a gente pede. Eu posso até dar o benefício da dúvida de que, no começo do ano passado (quando o parecer do CFM foi feito), até daria pra pensar nisso, mas hoje não. Você tem um monte de estudos porcaria, com poucos pacientes, mal desenhados que foram publicados sobre a cloroquina e a ivermectina. Dependendo da sua maldade - não é nem ignorância, é maldade -, você pega e faz um método escolhendo só os estudos que dizem o que você quer dizer.

Por que o senhor decidiu entrar com a representação?

Eu estava muito incomodado e continuo muito incomodado. Passei a ver um monte de manifestações nos jornais e nas mídias sociais (contra a postura do CFM), mas percebi que só essas manifestações não iam adiantar. A gente precisa ir atrás de uma punição ou de uma ameaça de punição, de que as pessoas tenham medo, porque só com medo elas vão parar. Não dá para ficar parado. Nós estamos numa tragédia. Esta suposta bala de prata está tirando a concentração das pessoas em fazer o isolamento e seguir outras medidas.

O senhor ficou com medo de represálias da categoria ou de ser alvo de sindicância?

Eu tenho mais medo da covid. Perdi um dos meus melhores amigos, perdi colegas. Essa história vai muito longe ainda e acho que só essas coisas por escrito não são suficientes, precisa de algo mais pungente, agressivo. Uma das razões que faz os médicos ainda prescreverem o kit covid é a certeza de que não vai acontecer nada. É o discurso de que ninguém vai me proibir, me punir.

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Defesa de kit covid vira capital político para médicos

Médicos até foram eleitos com a bandeira do tratamento precoce anticovid; eles alegam separar prática e política

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2021 | 05h00

Era a primeira semana de outubro, o Brasil ainda tinha média de 600 mortes diárias por covid, quando um grupo de aproximadamente 80 médicos se reuniu em um resort na paradisíaca praia de Arraial D’Ajuda, em Porto Seguro, para “trocar experiências” sobre o chamado tratamento precoce. O evento, além de discutir o uso de drogas ineficazes contra a doença, também serviu de palanque político para alguns.

A organizadora do encontro, a médica Raíssa Soares, aproveitou para fazer campanha para o candidato Jânio Natal (PL), que concorria à prefeitura da cidade baiana. O político foi eleito semanas depois e nomeou Raíssa como sua secretária da Saúde.

A médica, que já havia sido convidada pela Presidência da República a discursar em evento sobre a pandemia no Planalto em agosto, agora avalia concorrer ao cargo de governadora da Bahia em 2022 se tiver o apoio do presidente Jair Bolsonaro. O presidente, aliás, enviou uma mensagem de apoio aos médicos em vídeo apresentado durante o evento no resort de Arraial d'Ajuda.

Na mesma semana, também num município baiano, outro líder dos médicos que defendem o “tratamento precoce” aproveitava a crescente popularidade nas redes sociais para divulgar a sua candidatura a vereador de Feira de Santana pelo Patriotas.

Em seu perfil no Instagram, o cirurgião Eduardo Leite, um dos coordenadores da Associação Médicos pela Vida (principal entidade de defesa do tratamento precoce), fazia postagens pedindo votos, defendendo o presidente Bolsonaro e até questionando os números de mortos pela covid e chamando a pandemia de “fraudemia”.

Assim como Raíssa e Leite, alguns dos principais médicos “influenciadores” do uso de drogas sem eficácia contra a covid aproveitaram a fama nas redes sociais e em suas cidades para se candidatar ou ocupar cargos políticos ou públicos e fortalecer redes e canais a favor de Bolsonaro.

O Estadão identificou ao menos quatro médicos defensores dos remédios inócuos que participaram das eleições de 2020. Além de Leite, outro coordenador da associação também se candidatou a vereador. Jandir Loureiro concorreu a uma vaga na Câmara Municipal de Rio Bonito (RJ) pelo Pros. Nenhum dos dois foi eleito.

Outra adepta do tratamento precoce que amargou uma tentativa frustrada de entrar para a política foi a endocrinologista Annelise Meneguesso, que não conseguiu se eleger vice-prefeita de Campina Grande (PB) pelo PSL.

Seu colega de partido, o médico Pedro Melo, teve mais sorte. O ortopedista, também defensor dos medicamentos do kit covid, foi eleito vereador da cidade de Porto Ferreira, no interior de São Paulo. 

Em uma live transmitida em março no canal da Associação Médicos pela Vida, ele admitiu que suas contas criadas nas redes sociais para “orientar a população sobre o tratamento precoce” o ajudaram a se eleger.

“Usei essa plataforma, não vou dizer que não, para a minha eleição a vereador da cidade. Isso me trouxe logicamente uma visualização maior nas redes sociais e fui eleito em novembro passado”, contou.

Na mesma transmissão, ele diz que atende os pacientes com covid pelo WhatsApp e faz de 20 a 30 receitas de tratamento precoce por dia. O ortopedista conta ainda que estudou muito “no Google e no YouTube” sobre a doença, além de buscar mais informações com colegas sobre o pulmão, visto que sua especialidade não está habituada a lidar com doenças respiratórias.

“Eu aprendi a ver as imagens, eu fui ao radiologista da cidade vizinha e procurei ver imagens porque fazia tempo que eu não estudava tanto o pulmão”, relatou.

Apoio ao presidente

Mesmo médicos que não tentaram cargo político, mas que são “influenciadores” pró-tratamento precoce têm forte ligação com o bolsonarismo e usam sua popularidade nas redes sociais para exaltar o presidente e criticar seus rivais.

O recém-formado médico alagoano Marcos Falcão, que recebeu muitas críticas em março ao divulgar um número de WhatsApp nas redes prometendo que prescreveria o tratamento precoce por telemedicina para todo o País, mantém desde 2014 um canal de direita com 207 mil seguidores. Na plataforma, ele defende Bolsonaro e ataca figuras políticas vistas como adversárias do presidente, como o governador João Doria (PSDB) e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia.

A visibilidade também ajudou o médico, que obteve o seu CRM há quatro meses, a ampliar o número de pacientes. Em seu canal no Telegram, ele disse que, desde que divulgou o número do seu WhatsApp oferecendo tratamento precoce por telemedicina, já foi procurado por mais de 2 mil interessados no atendimento.

A consulta remota custa R$ 150 e o médico tem avisado aos interessados que não está dando conta de responder a todos. Também no seu canal no Telegram, onde ele divulga seus vídeos e outros materiais pró-Bolsonaro, ele quis saber a opinião dos seus seguidores sobre a possibilidade de se candidatar a deputado federal nas próximas eleições. A ideia foi bem recebida pelos fãs.

Profissionais dizem separar prática e política

Procurados pelo Estadão, alguns dos médicos adeptos do tratamento precoce que se candidataram a cargos públicos justificaram que a entrada na vida política nada teve a ver com a visibilidade que tiveram ao defender os medicamentos ou com o apoio ao presidente Jair Bolsonaro, ele próprio um defensor de remédios como a hidroxicloroquina.

Eduardo Leite, de Feira de Santana, afirmou que sua decisão de tentar um cargo público já havia sido tomada antes da pandemia, após ele resolver se aposentar da carreira médica. O médico disse ainda que não se aproveitou de sua posição profissional para conseguir votos. “Eu fechei meu consultório durante a campanha. Não fiquei oferecendo consultas em troca de votos, como alguns fazem”, declarou.

Leite afirmou ainda que, embora seja eleitor e apoiador do presidente Jair Bolsonaro, preferia que o presidente não falasse sobre tratamento precoce para que política e medicina não se misturem. “Nem presidente nem governador nem prefeito deveriam falar”, disse.

Sobre a postagem em que chama a pandemia de “fraudemia”, ele negou que tenha minimizado a gravidade da crise sanitária e disse que se referia à forma que alguns governantes usam a pandemia por interesses próprios.

Annelise Meneguesso, de Campina Grande, também destacou que sua relação com a política é mais antiga e disse que sua candidatura a vice-prefeita nem era prevista. “Sou presidente do PSL na minha cidade, fui líder do Movimento Vem pra Rua, mas não estava nos meus planos me candidatar. Só aceitei porque o candidato a vice teve um problema pessoal de última hora”, relata.

Ela afirmou que, apesar de apoiar algumas ações de Bolsonaro, isso não influencia sua prática médica. “Eu realmente compactuo com algumas ideias do presidente, mas acredito que o médico que adote qualquer medida por viés político ou ideológico está ferindo seu juramento. A gente tem de sempre pensar no paciente.”

Raíssa Soares, de Porto Seguro, foi contatada pelo Estadão por meio de seu assessor pessoal, mas ele não respondeu sobre o pedido de entrevista. Pedro Melo, de Porto Ferreira, também foi contatado por telefone e mensagem, mas deixou de responder quando foi informado sobre o teor da reportagem. O Estadão não conseguiu contato com os médicos Jandir Loureiro, de Rio Bonito, e Marcos Falcão, de Maceió.

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Associação pró-tratamento precoce ganhou destaque com anúncio e participação de médicos ilustres

Entidade também se aproveitou da popularidade de alguns desses profissionais nas redes sociais para ganhar mais visibilidade em diferentes grupos e classes sociais

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2021 | 05h00

Criada no ano passado por um grupo de médicos pernambucanos para defender o tratamento precoce contra o coronavírus, a Associação Médicos pela Vida ganhou destaque neste ano ao publicar, em fevereiro, informes publicitários de meia página em oito jornais de grande circulação do País e ao organizar lives com a participação de médicos renomados, alguns pesquisadores de universidades tradicionais. 

Juridicamente, os anúncios veiculados pela entidade foram registrados no CNPJ da Associação Dignidade Médica de Pernambuco, criada em 2014 pelo oftalmologista pernambucano Antônio Jordão, atual presidente da Médicos Pela Vida. Em março deste ano, a entidade passou a realizar lives fechadas para médicos para promover o tratamento precoce e teve como palestrantes profissionais que já passaram por universidades e hospitais conhecidos.

Entre os convidados estavam Paolo Zanotto, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP); Paulo Olzon, professor aposentado da Escola Paulista de Medicina/Unifesp e o imunolologista Roberto Zeballos, que faz parte do corpo clínico de hospitais como o Albert Einstein. 

A associação também se aproveitou da popularidade de alguns desses profissionais nas redes sociais para ganhar mais visibilidade em diferentes grupos e classes sociais. Zeballos, por exemplo, tem 193 mil seguidores no Instagram, mantém um consultório na Vila Nova Conceição (bairro nobre da capital paulista) e cobra R$ 1,8 mil pelo atendimento de pacientes com suspeita de covid-19 que queiram se tratar com seu protocolo de tratamento precoce.

Outra figura popular nas redes e presente nos eventos online da associação é a radiologista Lucy Kerr, cujo canal no YouTube tem 156 mil inscritos. Embora sua tradicional clínica nos Jardins seja especializada em ultrassonografia, ela tem oferecido, ao custo de R$ 700, consultas a pacientes com covid que queiram receber medicamentos como a ivermectina, defendida pela médica em seu canal e lives que participa.

Lista

Além dos “influencers” do tratamento precoce que participam das lives da associação, a entidade também mantém em seu site uma lista com nomes e contatos de médicos de várias cidades brasileiras que prescrevem os medicamentos. Atualmente, são mais de 120 doutores cadastrados na plataforma distribuídos por 71 municípios.

Como mostrou o Estadão na última quinta-feira, o cadastro dos profissionais interessados em aparecer no site da associação é feito em um sistema desenvolvido e mantido pelo grupo empresarial José Alves, dono da empresa Vitamedic, que produz a ivermectina, um dos remédios do chamado kit covid. 

O Estadão questionou a associação sobre a relação da entidade com o grupo empresarial e sobre quem financia os eventos e anúncios promovidos pela associação, mas a entidade disse, por meio da assessoria de imprensa, que não se pronunciaria sobre o tema.

Um dos coordenadores da associação, o cirurgião Eduardo Leite, afirmou que nenhum dos coordenadores recebe qualquer remuneração e que o Grupo José Alves foi apenas mais uma empresa que decidiu apoiar a associação. De acordo com Leite, a ajuda não foi financeira, mas apenas no desenvolvimento da plataforma online por meio da Unialfa, universidade goiana que integra o grupo empresarial. A companhia também foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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