Tratamentos de última geração contribuem para o controle do câncer
Conteúdo Patrocinado

Tratamentos de última geração contribuem para o controle do câncer

Especialistas do Sírio-Libanês apresentam as principais novidades do congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica 2021, realizado entre 4 e 8 de junho

Hospital Sírio-Libanês, Estadão Blue Studio
Conteúdo de responsabilidade do anunciante

27 de junho de 2021 | 08h30

Há 57 edições, o encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, na sigla em inglês) reúne especialistas do mundo todo para discutir a produção científica voltada ao manejo do câncer. Em 2021, realizado pela segunda vez em versão online, o encontro se deu em torno do tema “Equidade: Todos os pacientes. Todo dia. Todos os lugares”.

“O que se vê nesse congresso ano a ano é que o tratamento oncológico vai se tornando mais complexo e sofisticado”, analisa Artur Katz, diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo. “Até poucos anos atrás, o que se discutia basicamente eram formas diferentes de administração de quimioterapia. Hoje, são apresentados cada vez mais estudos sobre drogas dirigidas a um alvo molecular específico ou imunoterapia”, completa.

Testes genéticos para flagrar mutações nos pacientes e exames moleculares para conhecer as características dos tumores estão por trás de avanços no controle desse conjunto de doenças que são a principal causa de morte no mundo.

Entre os trabalhos apresentados na sessão plenária, a principal do congresso da Asco, Katz destaca o uso profilático de uma medicação oral, chamada olaparibe, empregada em mulheres com câncer de mama com predisposição hereditária decorrente de mutações BRCA 1 e 2. “O estudo mostrou que, após passarem por cirurgia, quimioterapia e radioterapia, as pacientes tratadas com olaparibe tiveram uma redução no risco de recidiva, o reaparecimento do tumor, em comparação com as que tomaram placebo”, explica o médico.

Especialista em câncer de pulmão, Gilberto de Castro, oncologista do Sírio-Libanês em São Paulo, viu surgirem notícias promissoras no uso de imunoterapia nesse tipo de tumor, responsável por cerca de 1,8 milhão de mortes no mundo todos os anos. “Estamos falando de uma doença heterogênea, que exige testes diagnósticos para conhecer suas características do ponto de vista molecular de forma a planejar um tratamento individualizado”, explica. Nesse sentido, o estudo batizado de IMpower010 revelou bons resultados iniciais da aplicação de um anticorpo chamado atezolizumabe após cirurgia e quimioterapia, o procedimento padrão nesses casos. Pela primeira vez se evidencia a eficácia da imunoterapia em diminuir o risco de recorrência da doença em estágio inicial, mostrando potencial para mudar a prática clínica nos próximos anos.

Gustavo Fernandes, diretor geral do Sírio-Libanês em Brasília, ressalta a importância da incorporação da imunoterapia com sucesso no tratamento de pacientes com tumores do trato gastrointestinal. “Vejo com satisfação os resultados de estudos globais, dos quais o Sírio- Libanês participou, que comprovam a tendência e os benefícios da associação da imunoterapia à quimioterapia para pacientes com cânceres no estômago e esôfago. No caso do câncer de esôfago, há ainda resultados promissores sem uso da quimioterapia, apenas com a combinação de diferentes drogas imunoterápicas”, comemora.

Na área de uro-oncologia, Daniel Girardi, coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, destaca o surgimento de uma alternativa para pacientes com câncer de próstata em fase metastática, ou seja, quando o tumor já se disseminou pelo corpo. “O estudo deve levar à aprovação pelas agências reguladoras de um tratamento inovador, baseado numa substância radioativa denominada lutécio-177. Ela é acoplada à molécula de PSMA, presente nas células tumorais. Ao ser injetada na veia, a radiação tem o efeito de destruir as células do câncer sem gerar tanto efeito colateral no resto do organismo”, descreve.

Girardi destaca ainda uma pesquisa que demonstrou a capacidade do fármaco pembrolizumabe em diminuir o risco de reaparecimento do câncer de rim após cirurgia. “Essa medicação estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais, e os dados sugerem possível ganho de sobrevida global”, relata.

De acordo com Rodrigo Munhoz, especialista em tumores de pele e oncologista do Sírio-Libanês em São Paulo, o evento da Asco permitiu vislumbrar um cenário de cura também para doentes com melanomas metastáticos. “Foi o que vimos num estudo que comparou um agente que já se usa, o nivolumabe, em associação com nova droga da classe de imunoterápicos, o relatlimabe. A resposta se traduziu em pacientes vivendo por mais tempo, gerando entusiasmo com a estratégia”, diz o médico.

Vencer desigualdades, garantir equidade

O congresso da Asco 2021, além de expor as modalidades de tratamento de última geração, discutiu a importância de avaliar as disparidades no acesso a elas. “O câncer de próstata tem comportamento mais agressivo na população negra, que é sub-representada nos estudos”, exemplifica Daniel Girardi.

“A seleção dos trabalhos este ano mostrou a preocupação em contemplar as diversidades étnicas e raciais e em ter um olhar global”, avalia Gilberto de Castro. Tanto é assim que, para a sessão plenária, a principal do congresso, foram selecionadas pesquisas a respeito de tumores que não são frequentemente encontrados em território americano ou europeu.

É o caso do câncer de colo do útero, um problema de saúde pública nos países em desenvolvimento. “Um trabalho apresentado nessa plenária avaliou se, em casos avançados da doença, a adição de quimioterapia adjuvante, ou seja, após o tratamento padrão de quimio e radioterapia, traria benefícios. O resultado, porém, infelizmente não mostrou ganhos”, conta Castro.

Já uma investigação sobre carcinoma de nasofaringe, tumor endêmico no Leste Asiático, trouxe boas notícias. “A estratégia experimental de combinar quimioterapia com imunoterapia, usando um anticorpo desenvolvido na China, se mostrou positiva no controle da doença metastática”, explica o oncologista.

“O congresso trouxe avanços em tratamentos e abordagens, o que é fabuloso. Mas isso deixa de ter importância se houver um abismo entre os recursos terapêuticos e o paciente”, ressalta Artur Katz. De acordo com o médico, o teste molecular de tumores, fundamental para o manejo do câncer de pulmão, por exemplo, é um dos desafios a serem vencidos. “No Sírio-Libanês, ele é realizado em todos os pacientes, mas, dada a complexidade dessa análise, essa não é a realidade em centros públicos do Brasil. Mesmo nos Estados Unidos, estudos mostraram que o exame é aplicado em apenas 50% dos doentes”, descreve. “Desenvolvimento só faz sentido se pudermos torná-lo acessível”, conclui.

Em 2020, o câncer foi responsável por 10 milhões de mortes, com maior prevalência de casos de tumores de mama, pulmão, intestino, próstata, pele e estômago.

fonte: https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/cancer 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.