Três milhões de usuários de drogas injetáveis estão infectados com HIV

Cerca de 16 milhões no mundo consomem drogas por via intravenosa, diz Cruz Vermelha

Efe

24 de novembro de 2010 | 20h59

GENEBRA - Cerca de 16 milhões de pessoas no mundo consomem drogas por via intravenosa, das quais 3 milhões estão infectadas pelo vírus da aids, divulgou nesta quarta-feira, 24, a Federação Internacional da Cruz Vermelha (IFRC, na sigla em inglês), prestes a organizar o Dia Mundial Contra a Aids, em 1º de dezembro.

Em relatório, a IFRC considera que os obstáculos que impedem os usuários de drogas injetáveis de aderir a medidas de prevenção e tratamento não só contribuem para propagar a doença, mas também constituem uma violação dos direitos humanos.

Dentre as barreiras, o documento cita a detenção dos viciados e a falta de acesso a tratamentos de reabilitação e programas de troca de agulhas e seringas.

"O aumento das taxas de infecção pelo HIV entre os consumidores de drogas injetáveis não só identifica uma urgência em matéria de saúde pública, mas testemunha a negligência do usuário e da discriminação desses indivíduos, vítimas de uma dependência dramática", afirmou o presidente da IFRC, Tadateru Konoe.

De acordo com dados da Unaids (programa da ONU para o combate à doença), em 2009 cerca de 40% dos consumidores de drogas injetáveis viviam na China, na Federação Russa e nos Estados Unidos.

No entanto, os soropositivos viciados em drogas são especialmente numerosos em cinco países: China, Malásia, Rússia, Ucrânia e Vietnã, aponta o relatório.

Na Europa Oriental e na Ásia Central, até 60% dos consumidores de drogas injetáveis estão contaminados pelo HIV, enquanto a IFRC denuncia que as leis e políticas persistem estigmatizadas à repressão e à exclusão. "Na Ucrânia, o número de soropositivos que usam drogas é tão elevado que o país está rodeado por uma epidemia generalizada", afirmam.

Os pesquisadores calculam que, nesse país, entre 38,5% e 50,3% dos consumidores de drogas injetáveis vivem com aids e 1,3% da população adulta geral é composta por soropositivos, o que torna a Ucrânia o país da Europa com mais infectados pela doença.

"Na Europa Central e na Rússia, taxas alarmantes de transmissão de aids são registradas entre os usuários de drogas injetáveis e entre a população em geral", revela o relatório, que destaca que a situação é completamente diferente nos países onde se dá prioridade à redução de riscos frente à criminalização.

Nesses locais, a incidência do HIV está estabilizada e praticamente não se observa transmissão à população em geral.

O documento também adverte que a injeção de drogas associada ao comércio do sexo aumenta o risco de difusão da aids entre a população. Como exemplo, o texto cita que, na província chinesa de Sichuan, cerca de 60% das prostitutas são também usuárias de drogas por via intravenosa e injetam agulhas infectadas. Em certas regiões do Reino Unido, a porcentagem chega a 78%.

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