AFP/Justin Sullivan
AFP/Justin Sullivan

Triagem digital e medições em casa podem virar tendência

Bem utilizada, tecnologia permite que o paciente se torne ‘dono’ de seu histórico de saúde

Alex Gomes e Ocimara Balmant, especial para o Estadão

30 de outubro de 2021 | 05h00

Se há uma certeza quanto à saúde do futuro é que ela envolve o uso de tecnologias. Dos dois lados da mesa – médico e paciente. No âmbito hospitalar, a telemedicina deve ganhar ainda mais espaço. E isso vai além da consulta remota. No Hospital Sírio-libanês, por exemplo, os pacientes contam com uma plataforma de pronto-atendimento digital para agilizar os processos de triagem.

“Estamos triando melhor, agilizando os atendimentos e reduzindo os custos. Antigamente, todos iriam ao pronto-socorro, desde problemas como unha encravada até um enfarte. Com o pronto-atendimento digital, ajudamos a direcionar os atendimentos presenciais a quem realmente precisa”, explica César Higa Nomura, superintendente de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-libanês e também presidente da Sociedade Paulista de Radiologia.

Já no âmbito dos pacientes, a tendência é a popularização de aparelhos capazes de monitorar condições clínicas. Entre os mais comuns estão os relógios inteligentes, que realizam desde o monitoramento de atividades físicas até funções de eletrocardiograma.

Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicado na revista científica Nature revelou que o oxímetro de uma das versões do smartwatch da Apple apresenta dados com precisão comparável aos de aparelhos que medem a oxigenação do sangue em hospitais.

Os apetrechos fazem o registro contínuo de dados do paciente, o que possibilita aos médicos uma avaliação mais ampla e, consequentemente, diagnósticos minuciosos. “Quando registramos a pressão em uma consulta, ela pode estar 10% ou 15% superior ao normal. Talvez a pessoa voltou das férias, pegou trânsito ou esperou uma hora para ser atendido no consultório... Com os aparelhos de monitoramento e os dados acumulados, o paciente tem um empoderamento. Chega ao médico não só com sintomas, mas com seu histórico”, observa Nomura.

E há um limite para o uso da tecnologia? “O desfecho é a combinação de tecnologia, protocolo e a ética na aplicação disso”, resume Fernando Silveira Filho, da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed). “Tecnologia boa é a tecnologia adequada, para o paciente certo, na medida da necessidade dele, e no momento certo”, diz ele.

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