Tribunal de Seul autoriza eutanásia de idosa em coma

Mulher está em estado vegetativo desde fevereiro de 2007, e não tem possibilidade de se recuperar

Efe,

10 Fevereiro 2009 | 02h24

Após a polêmica gerada em torno da eutanásia da italiana Eluana Englaro, um tribunal de Seul reiterou nesta terça-feira, 10, o direito de uma idosa em coma de morrer, que já tinha sido aprovado em novembro passado por uma corte de menor categoria, informou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.   Veja também: Morre Eluana Englaro, depois de 17 anos em estado vegetativo  Você concorda com a decisão de deixar Eluana morrer? Perguntas e respostas: entenda o caso  Veja tudo que foi publicado sobre o caso de Eluana Englaro   A mulher, de 76 anos, está em estado vegetativo desde fevereiro de 2007, e não tem possibilidade de se recuperar.   Perante a apelação apresentada pelo hospital contra a primeira sentença, o tribunal ressaltou nesta terça-feira o direito da idosa de recorrer à eutanásia, que terá que ser aplicada segundo critérios rigorosos.   É o primeiro caso a favor do direito ao procedimento de um paciente em estado terminal na Coreia do Sul. No país, não existe uma lei que reconheça a eutanásia, passiva ou ativa, e a decisão judicial abre um debate sobre o tema.   Itália   Na segunda-feira, a italiana Eluana Englaro, de 38 anos, que estava em estado vegetativo há 17, morreu. Eluana esteve no centro de uma disputa sobre o "direito de morrer", e o governo italiano estava prestes a fazer aprovar uma lei para impedir que o processo de desativação do aparato que mantinha Eluana viva seguisse adiante. A votação do projeto no Senado italiano estava prevista para esta terça-feira. "Sim, ela nos deixou", teria confirmado o pai, Beppino Englaro, à Ansa. "Mas não quero comentar nada, só quero ficar sozinho".   Ao ser informado do falecimento, o neurologista Gianluigi Gigli, da Universidade de Údine, pediu uma autópsia e análises toxicológicas para constatar a causa da morte da italiana, definida por ele como "inesperada".   Gigli, que estava diante da clínica La Quiete, onde Eluana estava internada, afirmou que o desfecho do caso causa perplexidade, já que durante a manhã de hoje os médicos haviam dito que a saúde de Eluana era estável.   O pai de Eluana vinha lutando na Justiça há anos pelo direito de suspender o tratamento da filha, o que obteve no final de 2008. No entanto, pressões exercidas tanto pelo governo italiano de centro-direita quanto pelo Vaticano vinham impedindo que a remoção do suporte de vida de Eluana ocorresse. Finalmente, na última semana, uma clínica particular, a La Quiete, aceitou receber a mulher e executar o procedimento.

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