Trinta anos da erradicação da varíola é tema de debate no Rio de Janeiro

Simpósio vai até esta sexta e discutirá os desafios dos programas de imunização e saúde pública

Agência Fiocruz

24 de agosto de 2010 | 17h04

SÃO PAULO - Entre esta terça-feira, 24, e sexta, 27, será realizado o simpósio internacional "A erradicação da varíola após 30 anos: lições, legados e inovações", no campus da Fiocruz, no Rio de Janeiro. A abertura terá como conferencista Donald A. Henderson, ex-diretor do Programa de Erradicação da Varíola da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Organizado pelo Fogarty International Center, pelo Sabin Institute (ambos americanos) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o simpósio celebrará os 30 anos da erradicação da varíola e discutirá os desafios atuais e futuros no campo da imunização.

O simpósio será o principal fórum de discussão sobre os caminhos dos programas de imunização e de saúde pública tanto nos aspectos científicos e tecnológicos como sociais, políticos, humanitários e econômicos.

Estarão presentes e serão palestrantes expoentes da saúde global de vários continentes; dirigentes das principais organizações internacionais de saúde, do Ministério da Saúde do Brasil e de seus programas; representantes das principais organizações internacionais doadoras na área de saúde; pesquisadores e cientistas; ex-dirigentes e participantes dos programas de erradicação da varíola em vários países.

Sintomas e características da doença

A varíola era uma doença infecto-contagiosa, exclusiva do homem (não sendo transmitida por outros animais, como a dengue, por exemplo), de surgimento e desenvolvimento repentinos e causada por um dos maiores vírus conhecidos e que é extremamente resistente aos agentes físicos externos, como, por exemplo, variações de umidade e temperatura. O vírus da varíola pertence à família Poxviridae, a mesma dos vírus causadores de formas variantes da doença, próprias do gado bovino (a varíola bovina), dos macacos, das galinhas e dos camelos.

A transmissão ocorria de pessoa para pessoa por meio do convívio e geralmente pelas vias respiratórias. Uma vez dentro do organismo, o vírus da varíola permanecia incubado de sete a 17 dias. A seguir, ele se estabelecia na garganta e nas fossas nasais e causava febre alta, mal-estar, dor de cabeça, dor nas costas e abatimento, esse estado permanecia de dois a cinco dias.

Finalmente, a enfermidade assumia sua forma mais violenta: a febre baixava e começavam a aparecer erupções avermelhadas, que se manifestavam na garganta, boca, rosto e que depois espalhavam-se pelo corpo inteiro. Isso ocorre, porque o vírus da varíola parasita as células do tecido epitelial para se reproduzir. Com o tempo, as erupções evoluíam e transformavam-se em pústulas (pequenas bolhas cheias de pus), que provocavam coceira intensa e dor – era nesse estágio que o risco de cegueira era maior, pois, ao tocar o olho, o enfermo podia causar uma inflamação grave.

Até aqui, não existe tratamento efetivo contra a varíola. Quando ela existia, o máximo que se podia fazer era tentar amenizar ao máximo a coceira e a dor causadas pela doença e esperar que o organismo reagisse e vencesse o vírus. A sobrevivência do doente dependia da forma de varíola que ele adquiria, já que a enfermidade se divide em duas formas principais, a varíola major, com 30% de letalidade, e a varíola minor, também conhecida como alastrim, que era mais comum e com menos de 1% de casos fatais (também existiam manifestações mais raras da doença, como a hemorrágica e a maligna). Com o tempo, as pústulas secavam e transformavam-se em crostas, que desprendiam-se ao final de três ou quatro semanas. Caso o enfermo tivesse adquirido a forma major, essas crostas costumavam deixar cicatrizes permanentes na pele.

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