Corregedoria Geral da Administração / Divulgação
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Trio é preso por suspeita de desviar medicamento usado em tratamento infantil

Uma mulher e dois homens foram detidos em flagrante e são acusados de integrar quadrilha que retirava ilegalmente remédio destinado a crianças com problemas hormonais; Prejuízos são estimados em R$ 2,1 milhões

Paulo Roberto Netto, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2018 | 14h33

SÃO PAULO - Três pessoas foram presas em flagrante nesta sexta-feira, 11, por suspeita de integrar quadrilha especializada em desviar medicamentos destinados ao tratamento de crianças com problemas de crescimento. O trio foi detido na Farmácia Maria Zélia, no Belenzinho, zona leste de São Paulo, no momento que retirava os remédios de forma ilegal. Prejuízos estimados aos cofres públicos chegam a R$ 2,1 milhões. 

De acordo com a Corregedoria Geral da Administração (CGA), responsável pela investigação, os suspeitos desviavam somatropina, indicada para tratamento de crianças com deficiência hormonal, para revender como anabolizante. A prisão ocorreu quando uma mulher tentou retirar 23 caixas do medicamento. Dois homens que davam apoio à suspeita também foram presos e o trio foi encaminhado ao Departamento de Polícia de Proteção à Pessoa.

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A quadrilha é investigada pela CGA desde 2016, quando outras três pessoas foram presas em flagrante durante tentativa de retirar ilegalmente a somatropina em uma farmácia do Conjunto Hospitalar de Sorocaba. Desde então, a liberação da droga passou a ser monitorada pela Corregedoria. Cada lote do medicamento é estimado em R$ 113,67.

Por meio de cruzamento de dados da Secretaria de Estado de Saúde, foi constatado que a mulher detida nesta sexta-feira utilizava cinco registros de identidades falsos para retirar o medicamento em pelo menos quatro farmácias: Várzea do Carmo, Maria Zélia, Guarulhos e Vila Mariana. Desde março, foram desviadas pelo menos 289 ampolas de somatropina, estimadas em R$36 mil.

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Para fazer a retirada, a suspeita utilizava receitas e exames médicos falsos. De acordo com a investigação, os documentos são os mesmos utilizados pelo grupo preso em 2016, inclusive a assinatura, mas com nomes de profissionais diferentes. Uma das médicas cujo nome constava como a responsável pela receita informou que não tinha nenhum paciente com o nome dos suspeitos e tampouco tratava a doença.

As divergências encontradas na investigação também incluem exames e prescrições idênticos para diversos pacientes; falsificação de papéis timbrados de laboratórios de análises e resultados idênticos de relatórios médicos feitos por profissionais diferentes, além de todos os laudos de exames constarem o mesmo número de registro na Anvisa.

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Pelo menos 83 pacientes estão sendo investigados, indica levantamento da investigação. O grupo apresentou mais de 22 mil prescrições do medicamento nos últimos dois anos, sendo que 18 mil foram aceitas pela Secretaria de Saúde. O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 2,1 milhões. 

A mulher e os dois homens presos nesta sexta-feira residiam no Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo. Segundo a CGA, a quadrilha era chefiada pelo comerciante Francisco Jailson Caldas de Almeida, conhecido como Chiquinho, que tem passagens na polícia por estelionato e receptação. Ele tem prisão preventiva decretada pela Justiça de Sorocaba desde 2016 e se encontra foragido. Um dos presos, um rapaz de 21 anos, é filho de Chiquinho.

Além de São Paulo, o esquema ilegal também foi registrado em Bauru, Campinas, Franco da Rocha, Marília, Mogi das Cruzes, Osasco, Santos e Taubaté. Dois cadernos apreendidos pela Polícia Civil detalham a rede da quadrilha.

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