Arquivo/AE
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Triplica atendimento a crianças vítimas de abuso sexual em hospital de SP

Segundo levantamento feito no Hospital Estadual Pérola Byington, nos últimos dez anos houve um aumento de 52%; em 2011, foram 1.088 casos envolvendo menores de 12 anos

Agência Brasil,

21 de março de 2012 | 18h15

O número de crianças vítimas de abuso sexual atendidas pelo Hospital Estadual Pérola Byington triplicou nos últimos dez anos, segundo um levantamento da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo. Em 2001, 352 casos de menores de 12 anos que sofreram esse tipo de violência foram registrados na unidade, que é referência em atendimentos do tipo na capital paulista e na Grande São Paulo. Já em 2011, esse número subiu para 1.088.

Entre adolescentes, com idades que variam de 12 a 17 anos, a quantidade de atendimentos cresceu 52% no período pesquisado. Se consideradas apenas as vítimas adultas, ou seja, com idade superior a 18 anos, o número total de casos caiu 40%.

Para Jeferson Drezett , médico e coordenador do Núcleo de Violência Sexual do hospital, a diferença na evolução das estatísticas referentes a vítimas adultas e crianças é decorrente da melhora nas políticas públicas relacionadas ao assunto. “Mulheres adultas têm, hoje, mais possibilidades de receber atendimento desse tipo perto de suas residências. Atualmente, diferente do que acontecia há algum tempo atrás, elas não precisam mais sair de regiões afastadas e vir para o Pérola Byington. Já quando se tratam de crianças e adolescentes, a quantidade de locais aptos a atender é bem menor e eles [os casos], em sua maioria, são direcionadas para cá”, diz o médico.

Drezett lembra ainda que houve no Brasil uma mudança cultural nos últimos anos, que ajuda cuidadores de crianças, como pais e professores, a identificar sintomas de abuso sexual. “Esse tipo de violência era antes encarado de forma velada e hoje é repudiado publicamente. A mídia fala mais sobre o assunto. Além disso, as pessoas aprenderam que essa é uma situação que não pode ser tolerada e que, quando há conhecimento dela, precisa ser comunicada para romper com esse ciclo de violência”.

Para o médico, não houve necessariamente, nesses dez anos, um crescimento no número de casos e, sim, um aumento no número de abusos comunicados. “Apesar disso, acreditamos que para cada caso comunicado existem quatro que não chegam ao conhecimento de ninguém. Esses dados representam cerca de 20% de um suposto total”, estimou.

O levantamento da secretaria aponta ainda que, se considerado o total de atendimentos do hospital, houve um aumento de 26,4% no número de mulheres vítimas. Já entre os homens, a quantidade triplicou. Em geral, somando vítimas de todas as idades e sexos, o crescimento em dez anos ficou em 37%.

Para identificar se há possibilidade de um menor estar sofrendo abuso sexual, o coordenador do Núcleo de Violência Sexual do hospital destaca como pontos a serem observados: mudanças abruptas de comportamento e queda no rendimento escolar sem explicação. Caso sejam identificadas situações assim, a orientação é para que seja feita uma tentativa de diálogo, de forma sutil, e que, confirmando-se a suspeita, se denuncie o caso para o Conselho Tutelar mais próximo. O comunicado pode sempre ser feito de forma anônima, ressalta Drezett.

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