Tristeza induz a gastar mais, conclui estudo nos EUA

Participantes do estudo, induzidos à tristeza, quiseram pagar cerca de 4 vezes mais por uma garrafa de água

Associated Press,

08 de fevereiro de 2008 | 16h40

Um estudo de quatro universidades americanas, divulgado nesta sexta-feira, 8, concluiu que quando as pessoas estão tristes, tendem a gastar mais dinheiro. Os participantes da pesquisa, que assistiram a um vídeo que induzia à tristeza, ofereceram-se a pagar cerca de quatro vezes mais por uma garrafa de água que um grupo que assistiu um vídeo emocionalmente neutro.   O fenômeno, apelidado de 'a miséria não é miserável', é bem conhecido por psicólogos e publicitários, e foi documentado num estudo similar em 2004. O novo estudo, elaborado pelas universidades de Harvard, Carnegie Mellon, Stanford e Pittsburgh, foi além, tentando responder se um momento de tristeza passageira é capaz de provocar tendências consumistas.   O estudo apontou uma disposição em pessoas tristes para gastar sem controle, principalmente quando a tristeza leva a um estado de egocentrismo. Esse aspecto foi indicado pela contagem da freqüência com que os participantes usaram referências a 'eu', 'meu', e 'eu mesmo',  numa redação sobre como uma situação triste, como a mostrada no vídeo, poderia afetar suas personalidades.   O vídeo em questão mostrava a morte do mentor de um menino. Outro grupo assistiu a um vídeo neutro, sobre a Grande Barreira de Coral, uma grande colônia de corais na costa australiana. Trinta e três participantes do estudo - adultos jovens que aceitaram participar da pesquisa por US$ 10 - tiveram a chance de gastar parte dos seus US$ 10 na comprar uma garrafa de água.   O 'grupo triste' ofereceu em média US$ 2,11, enquanto o 'grupo neutro' quis pagar US$ 0,56, em média.   Apesar da grande diferença, os participantes no 'grupo triste' insistiram que o conteúdo emocional do vídeo não afetou suas disposições em gastar mais - uma suposição incorreta, disse um dos co-autores do estudo.   "Esse é um fenômeno que acontece sem que se tenha consciência", afirmou Jennifer Lerner, professora de Harvard que estuda emoção e tomadas de decisões, durante entrevista por telefone. "Isso é realmente diferente da idéia de uma terapia do consumo, quando as pessoas se sentem tristes e tentam se animar comprando. As pessoas não têm idéia de onde isso está indo".   "O estudo usou produtos e dinheiro reais. Os resultados têm implicações em decisões diárias", informaram os autores do estudo, que será publicado no jornal Psychological Science e apresentado neste sábado, 9, numa convenção da Society for Social and Personality Psychology.   Edward Charlesworth, psicólogo de Houston que não esteve envolvido na pesquisa, sugere que o fenômeno tem raízes na cultura que encoraja as pessoas a comprar para se sentir melhor.   "Certamente, a indústria da propaganda sabe disso", afirma, citando como exemplo o jingle de uma campanha publicitária do McDonald's na década de 70 - 'você merece um descanso hoje'. O psicólogo, autor de um livro sobre como lidar com o estresse, diz ver freqüentemente seus clientes consumindo muito quando atravessam uma dificuldade.   O estudo foi financiado por concessões do National Science Foundation e do National Institute Of Heath. Além de Lerner, outros autores da pesquisa eram Cynthia Cryder, da Universidade de Carnegie Mellon, James Gross de Stanford, e Ronald Dahl da Universidade de Pittsburgh.

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