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Rodrigo Rodrigues, apresentador da TV Globo Instagram/@rr_tv

Trombose venosa cerebral: o que é, quais os sintomas e qual a relação com a covid-19

Rodrigo Rodrigues, apresentador da Rede Globo, morreu nesta terça-feira em decorrência do novo coronavírus

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2020 | 10h00

O apresentador da Rede Globo Rodrigo Rodrigues morreu nesta terça-feira, 28, em decorrência da covid-19. Ele estava internado desde a noite de sábado, 25, em coma induzido, após testar positivo para o novo coronavírus e passar por uma cirurgia para diminuição da pressão intracraniana por causa de uma trombose venosa cerebral.

O trombo é um coágulo, que pode ser parcial ou total, e se forma nos vasos sanguíneos, veias ou artérias, limitando o fluxo normal do sangue. Quando isso ocorre, é diagnosticada a trombose, que pode se manifestar de diferentes formas. 

A trombose pode ter várias manifestações e diferentes causas: caso ela ocorra em uma veia profunda é definida como Trombose Venosa Profunda (TVP); já se o coágulo se formar em uma artéria, é chamada de trombose arterial (TA), e pode causar enfarte ou acidente vascular cerebral (AVC). 

Uma em cada quatro pessoas no mundo morre em decorrência de condições causadas pela trombose, de acordo com a Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia. Gestantes e mulheres no puerpério, assim como pacientes com câncer, estão entre os mais suscetíveis à desenvolver esses trombos ou coágulos. "Mulheres em idade fértil e que fazem uso de anticoncepcional, também estão mais vulneráveis à trombose", explica Indianara Brandão, médica hematologista. A especialista acrescenta que três em cada 10 pacientes que tiveram o problema podem voltar a desenvolver um novo episódio de trombose. 

Quais são as principais causas da trombose venosa cerebral?

Em algumas situações, a população feminina está mais vulnerável, como o uso regular de anticoncepcional ou tratamento hormonal e gravidez. Porém, todas as outras circunstâncias põem em risco todos os gêneros. Confira os fatores de risco para a trombose venosa cerebral.

  • tabagismo;
  • ficar sentado ou deitado por longos períodos;
  • hereditariedade;
  • presença de varizes;
  • idade avançada;
  • pacientes com insuficiência cardíaca;
  • tumores malignos;
  • obesidade;
  • distúrbios de hipercoagulabilidade hereditário ou adquirido;
  • história prévia de trombose venosa.

Relação entre trombose venosa cerebral e coronavírus

O tromboembolismo pulmonar é a mais grave complicação da trombose, pois há o deslocamento do trombo da veia para o pulmão. "A gravidade vai depender do tamanho e da quantidade de coágulos no pulmão", enfatiza a hematologista Indianara Brandão. Ela ressalta que, recentemente, alguns estudos também relacionaram a doença à quadros mais graves da covid-19

Uma das maiores preocupações dessa relação diz respeito a identificação de uma forte ligação entre parâmetros anormais de coagulação - produtos de degradação do dímero D e fibrina - e a mortalidade. "Nesses casos o tratamento indicado e mais eficaz é feito com administração de anti-coagulante". salienta a médica . 

Especialistas de vários países relatam problemas semelhantes. Uma análise realizada por cientistas chineses, com 183 pacientes diagnosticados com a covid-19, revelou que 71% dos que morreram apresentavam coágulos. Na Holanda, outro estudo com 184 pacientes internados em UTIs revelou que um terço deles tinha coágulos. 

Os casos devem ser investigados, pois a evolução desses coágulos podem ocasionar enfartes, AVCs e até amputações "Em alguns casos, vemos a formação de grandes coágulos nas artérias, seja no coração, o que causa ataque cardíaco, nas artérias do cérebro, o que causa AVC, ou, ocasionalmente, nas artérias das extremidades, o que pode colocar em risco os braços e pernas do paciente e gera a possibilidade de que seja necessária amputação", conclui Indianara Brandão.

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Ficar muito tempo sentado pode ser tão perigoso quanto fumar, diz especialista

Trabalhar por muitas horas sem levantar da cadeira pode causar trombose e doenças arteriais

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2019 | 07h06

Por quanto tempo você fica sentado durante suas atividades diárias? Em algumas profissões, o indivíduo permanece na cadeira por até oito horas seguidas. O estrago para a saúde dessas pessoas pode ser tão grande quanto para aqueles que fumam, apontam especialistas.

Isso porque o corpo precisa estar em constante movimento. O sedentarismo diminui o gasto calórico e dificulta a circulação do sangue. "Sabemos que o tabagismo cria macromoléculas no sangue que favorecem a Trombose Venosa e também é fator para doenças arteriais. Por isso que o tabagismo e o sedentarismo se equiparam no que diz respeito aos males que os dois podem causar. De fato, os dois fazem muito mal", alerta o cirurgião vascular Caio Focássio.

O médico ressalta que ficar muito tempo na mesma posição representa os mesmos perigos do sedentarismo: "Se uma pessoa fica sentada 10 horas ao dia trabalhando, ela está deixando de se movimentar, de estimular a circulação e o retorno venoso (retorno de sangue para o coração) e isso é danoso. O indivíduo que fica muito sentado em viagens longas, por exemplo, tem o risco de causar um trombo dentro do sistema venoso profundo - que é a trombose venosa profunda".

Além dos doenças cardiovasculares, ficar muito tempo sentado é danoso para músculos e ossos, de acordo com o neurocirurgião Marcelo Perocco, da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN): "Na posição sentada, não temos distribuição do peso corporal pelas articulações do quadril, joelhos e tornozelos, aumentando a pressão nos discos intervertebrais e nas articulações facetárias. Isto aumenta as chances de lesões na coluna vertebral".

A idade, a má postura e atividades com excesso de peso podem agravar essas lesões.

Trabalhar sentado: como evitar o sedentarismo?

Se você trabalha por períodos longos sentado em frente ao computador, fique atento às dicas para evitar problemas de saúde.

- Levantar a cada uma hora e caminhar por dez minutos, por exemplo, indo ao banheiro ou bebendo água;

- A hidratação é essencial para quem fica muito tempo sentado;

- O uso de meias elásticas diariamente ajuda no retorno venoso e evita problemas de circulação;

- Atividade física ainda é a melhor maneira de se prevenir contra qualquer doença cardíaca ou da coluna;

- Faça alongamentos, fortalecimento da musculatura paravertebral e abdominal.

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Conheça alguns fatos sobre trombose e saiba como prevenir

Condição atinge, principalmente, pernas e coxas; fatores de risco vão além do anticoncepcional

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 07h03

A trombose é caracterizada pela obstrução de veias com a formação de coágulos de sangue. Muito associada ao uso de anticoncepcional, a condição tem outros fatores de risco, como tabagismo, obesidade e diabete. Ficar sentado ou deitado por muito tempo na mesma posição (por exemplo: quando pacientes ficam longo período internados e não conseguem se movimentar) também pode contribuir para a criação de coágulos nas veias ou artérias.

Em entrevista anterior ao E+, a hematologista Suely Resende disse que qualquer mulher que tem histórico de trombose na família deve evitar o uso de anticoncepcional. O motivo é que a condição tem componente genético e os hormônios contidos na pílula, principalmente o estrogênio, diminuem a ação anticoagulante no corpo.

Na chamada trombofilia hereditária, ocorrem mutações nos genes de proteínas da coagulação, ou seja, há deficiência de anticoagulantes naturais. Esses casos, porém, são raros e atingem de 30% a 40% das pessoas, enquanto a doença por fatores adquiridos (citados anteriormente) é mais comum e afeta de 50% a 60%.

No Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose, lembrado em todo 16 de setembro, o alerta é para que as pessoas adotem medidas preventivas e fiquem atentas aos sintomas, que nem sempre aparecem.

VEJA TAMBÉM: Cinco hábitos para ter uma circulação saudável

Existem dois tipos de trombose, a aguda e a crônica. A primeira é resolvida naturalmente na maioria das vezes. O próprio corpo adota mecanismos para dissolver os coágulos que estão entupindo as veias. Dessa forma, não há sequelas nem agravamentos.

No caso da trombose crônica, há sequelas no interior das veias durante o processo natural de dissolução do coágulo. Isso altera a estrutura das válvulas e o retorno do sangue fica prejudicado. As consequências são inchaço, varizes, escurecimento e endurecimento da pele, além de feridas e outras complicações.

Se não diagnosticada ou tratada corretamente, a trombose pode levar à embolia pulmonar, que é quando o coágulo se desloca até o pulmão, o que pode ser fatal. Com base nos fatores de risco, as orientações para evitar a trombose são praticar atividades físicas regularmente, não fumar e manter o peso adequado. Em longas viagens ou se passar muito tempo sentado, aconselha-se usar sapatos e roupas confortáveis, tentar se movimentar com frequência e usar meias de compressão.

A seguir, confira cinco fatos sobre a trombose, segundo o cirurgião vascular Marcelo Matielo, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).

Fato 1: Nem sempre há sintomas na trombose

A trombose pode ser uma doença silenciosa, ou seja, assintomática. Muitas vezes, o primeiro sintoma é a própria complicação: a embolia pulmonar. Porém, de maneira geral, os sintomas são dores e aumento do volume do membro acometido (geralmente pernas e coxas), além de inchaço e endurecimento da musculatura.

Fato 2: Convivendo com trombofilia

Geralmente, o paciente que apresenta trombofilia, condição que predispõe à trombose, não precisa ser medicado durante toda a vida. Porém, ele deve tomar algumas precauções. "Se já tiver apresentado um quadro de trombose venosa profunda, e dependendo da trombofilia, é indicado somente tratamento por tempo clássico. Em alguns poucos casos, há a indicação de tratamento com anticoagulantes por toda a vida", afirma o médico.

Fato 3: Cuidado com anticoncepcional

Nem toda mulher que usa a pílula vai ter trombose, mas é importante ficar atenta. "Porém, não há justificativa para pesquisa de trombofilia em toda mulher que vai fazer uso de terapia hormonal. O mais importante é avaliar se há histórico familiar ou pessoal de trombose venosa profunda antes da prescrição", afirma o cirurgião vascular.

Fato 4: Gravidez e puerpério

A gravidez aumenta o risco para a doença. A incidência está mais elevada no puerpério, mas isso não significa que todas as gestantes terão trombose. A proporção de tromboembolismo venoso (TEV) durante a gestação é de 12,3 para cada dez mil gestações. "Um angiologista ou cirurgião vascular saberá identificar esse risco e informar se alguma medida deve ser tomada", afirma o médico.

Fato 5: Tratamento para trombose

O tratamento é feito por meio da anticoagulação, porém Matielo afirma que as medicações não vão dissolver o coágulo. "Vão impedir que novos coágulos sejam formados. Quem vai fazer a quebra e absorção do coágulo são os fatores presentes no organismo do paciente", explica.

Em casos bem selecionados, nos quais não seja viável realizar a anticoagulação, pode ser utilizado implante de filtro de veia cava, para evitar somente a embolia pulmonar. Também, dependendo do caso, pode se optar pela realização de cirurgia para desobstrução da veia através da técnica minimamente invasiva ou da cirurgia convencional.

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