AP Photo/Manuel Balce Ceneta
AP Photo/Manuel Balce Ceneta

Trump afasta risco de contaminação por coronavírus durante o carnaval brasileiro

'Brasil tem só um caso; há muitos outros países com mais gente infectada', disse o presidente dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 00h30

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afastou nesta quarta-feira, 26, preocupações sobre risco de transmissão do coronavírus a americanos que tenham visitado o Brasil durante o carnaval. “O Brasil tem só um caso, me dou muito bem com o presidente lá, há muitos outros países com mais gente infectada”, disse Trump. O governo brasileiro informou que um homem de 61 anos, morador de São Paulo, contraiu o vírus após uma viagem à Itália - há outros 20 casos suspeitos.  

Em entrevista coletiva nesta quarta, Trump demonstrou confiança sobre a preparação dos Estados Unidos para enfrentar o coronavírus. “Não há razão para pânico porque estamos fazendo um ótimo trabalho, temos as mais talentosas pessoas do mundo aqui”, disse. Ele estava acompanhando de autoridades de saúde americanas. 

Trump disse acreditar que uma vacina contra o coronavírus deve ser desenvolvida em breve e que, por enquanto, descarta impedir viagens de americanos para países como Itália, que tem muitos infectados. "É como uma gripe comum, para prevenção as pessoas só precisam lavar as mãos, não dar a mão ou abraçar todo mundo." Viagens à China e à Coreia já são desaconselhadas pelo governo americano. 

Questionado sobre a situação do Brasil e se estava preocupado com o fato de muitos americanos estarem no país para o carnaval, Trump também não demonstrou preocupação. Os Estados Unidos têm, de acordo com o último balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS), 53 casos confirmados da doença - sem óbitos. 

Segundo o jornal The Washington Post, os Estados Unidos detectou o primeiro caso de coronavírus em uma pessoa que não havia viajado recentemente, um indício de que o vírus pode estar se propagando de maneira local. O paciente em questão, que nem havia viajado recentemente para fora nem havia tido contato com um caso de coronavírus confirmado, está em uma região da Califórnia, segundo informou o jornal, com base em dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Especialistas temem que o pequeno número de casos registrados nos Estados Unidos até agora, se comparado a outras nações, seja reflexo de limitações nos testes para detectar o coronavírus - e não um resultado da baixa propagação da doença no território americano. Problemas com um teste criado pelo CDC limitou a capacidade de aumentar rapidamente os exames em um momento em que a epidemia do coronavírus entra em uma fase mais preocupante em outros países. 

Pela primeira vez, o número de novos casos do novo coronavírus nesta terça-feira foi maior fora da China, epicentro do surto, do que dentro do país asiático. Segundo a OMS, o total de infectados foi de 411 na China e 427 no restante do mundo. O avanço tem ocorrido em países vizinhos, como a Coreia do Sul, no Oriente Médio, e na Europa, sobretudo na Itália. 

No mundo, o total de infectados ultrapassa 80 mil e o de mortes é de cerca de 3 mil. Na Ásia, autoridades de saúde trabalham ainda com a possibilidade de que a queda no registro de infectados seja temporária.  /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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