Tuberculose é grande causa de morte de soropositivos

ONU realizou fórum global sobre a tuberculose e a aids, lembrando para as 4 mil mortes diárias dessas doenças

Efe

09 de junho de 2008 | 21h26

A ONU realizou nesta segunda-feira, 9, seu primeiro fórum global sobre a tuberculose e a aids para chamar a atenção para as quatro mil mortes causadas diariamente por esta doença pulmonar, cuja cura foi descoberta há mais de 50 anos, e que afeta em especial os portadores do vírus HIV.  A reunião, realizada às vésperas da sessão especial da Assembléia Geral sobre a aids, teve como objetivo vincular essa epidemia com a da tuberculose, que é uma das principais causas de morte dos pacientes com um sistema fragilizado pelo vírus do HIV. Entre os participantes da reunião estiveram chefes de Governo, ministros e personalidades como o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, cuja fundação contribuiu para baratear, nos países mais pobres, o preço dos tratamentos para a aids, a malária e a tuberculose. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou, ao abrir a reunião, que a tuberculose ainda é uma das dez principais causas de morte no mundo. "Isto é triste, ninguém deveria morrer de tuberculose, que é uma doença que pode ser prevenida e curada neste próspero século XXI cheio de avanços tecnológicos", afirmou. Ele criticou o fato de não haver investimentos suficientes para encontrar métodos de controle, prevenção, diagnóstico e tratamento da tuberculose nos pacientes de aids e infectados pelo HIV. Ban assegurou que esta situação limita as opções para combater as variantes da doença mais resistentes aos antibióticos tradicionais e deixa muito poucas possibilidades de reduzir as mortes que causa. Clinton, que discursou rapidamente, ressaltou a importância de fornecer aos pacientes dos países mais pobres o acesso aos remédios dos quais precisam para sobreviver, que, em muitas ocasiões, estão acima do preço que podem pagar ou dos sistemas de saúde de seus países. O ex-presidente americano destacou que essa foi uma das metas da fundação que tem seu nome, e através da qual conseguiu fazer acordos com empresas farmacêuticas para que reduzam seus preços em certos países em desenvolvimento e impulsionou o fundo internacional para a compra de medicamentos (Unitaid). O enviado especial das Nações Unidas na luta contra a tuberculose, o ex-presidente de Portugal Jorge Sampaio, que foi quem convocou o encontro, disse em entrevista que a tuberculose é "um grande obstáculo ao desenvolvimento", pois, na maioria das vezes, as vítimas são adultos em idade de trabalho. O ex-chefe de Estado português defendeu "associar" as pesquisas e a luta contra a aids e a tuberculose, que o Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) qualifica de "epidemia dupla". Ele advertiu de que a tuberculose coloca em risco o avanço conquistado nos últimos anos na redução da taxa anual de novos casos de contágio de HIV e no número de mortes causado pela aids. Nesse sentido, lembrou que menos de um terço dos pacientes de HIV/aids com tuberculose recebe tratamento para ambas as doenças.

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