Nicolas Bock/Bloomberg
Nicolas Bock/Bloomberg

Turquia diz que eficácia da Coronavac em teste no país é de 91%, segundo análise preliminar

Autoridades turcas dizem que taxa pode aumentar a depender dos dados finais dos testes. País encomendou 50 milhões de doses. Taxa obtida nos testes brasileiros ainda não foi tornada pública

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2020 | 14h55
Atualizado 24 de dezembro de 2020 | 16h55

A vacina contra a covid-19 desenvolvida pela biotech chinesa Sinovac apresentou uma eficácia de 91,25% em testes na Turquia, segundo análise preliminar feita por pesquisadores do país e divulgada nesta quinta-feira, 24. A Turquia é o segundo país a obter resultados da Coronavac. Nesta quarta-feira, 23, autoridades brasileiras disseram que a vacina superou o limiar da eficácia (50%), mas o índice exato não foi divulgado sob a justificativa de que a Sinovac havia solicitado uma reanálise das informações após diferenças entre os dados do Brasil e de outros países terem sido observados.

De acordo com a imprensa turca, os pesquisadores do país, integrantes de um conselho científico governamental, disseram que nenhum grande sintoma foi detectado durante os testes no país, com a exceção de uma pessoa que apresentou reação alérgica. 

Segundo o site de notícias turco Sozcu, o porcentual de eficácia foi medido a partir da análise de uma amostra de 1,3 mil voluntários, na qual foram verificados 29 casos de covid-19. Destes, 3 fariam parte do grupo que recebeu a Coronavac e 26 eram do grupo que tomou o placebo, o que levaria à eficácia de 91%.

O número de contaminados na amostra, porém, é considerado pequeno para uma análise com poder estatístico. No Brasil, por exemplo, o número mínimo de infecções entre os voluntários que permitiria uma análise preliminar seria de 64. Já para a análise final só poderia ser feita com mais de 151 casos da doença. Segundo Dimas Covas, diretor do Butantã, a análise que mostrou que a Coronavac superou o índice de 50% de eficácia considerou 170 casos de covid-19 entre os voluntários.

As análises de eficácia feitas por outras farmacêuticas, como Pfizer, Moderna e AstraZeneca foram realizadas todas com mais de 130 casos de covid-19 na amostra.

A Turquia havia acordado a aquisição de 50 milhões de doses da Coronavac até o dia 11 de dezembro, mas a entrega atrasou. O ministro da Saúde, Fahrettin Koca, disse que as vacinas chegarão ao país na próxima segunda-feira, 28, e serão usadas na imunização de 9 milhões de pessoas do primeiro grupo prioritário, começando por profissionais de saúde.

"Recebemos a boa notícia de que a vacina será eficaz. Agora é a hora de nos protegermos melhor, até que possamos ser infundidos e fazer efeito. Vamos nos preparar para belos dias com cautela", disse o ministro em mensagem postada no Twitter. 

No Brasil, a taxa de eficácia da Coronavac ainda não é conhecida. Nesta quarta-feira, o governo de São Paulo e o Instituto Butantã, que desenvolve a vacina em parceria com a Sinovac, adiaram a divulgação pela quarta vez. As autoridades locais disseram que a vacina atingiu o mínimo de eficácia exigida, mas a porcentagem ainda não é conhecida publicamente. 

O Instituto Butantã informou que a Sinovac requisitou os dados dos testes no Brasil para análises, com um novo prazo de 15 dias. Os testes de fase 3 da Coronavac eram realizados simultaneamente no Brasil, Turquia e Indonésia. 

Questionada pela reportagem sobre os resultados turcos, o Instituto Butantã disse que "não comenta  informações relativas a contratos da Sinovac com outros países". "O Butantã atendeu a um pedido da biofarmacêutica visando à unificação de dados de eficácia da vacina. Nos testes clínicos realizados no Brasil com 13 mil voluntários, a vacina já se mostrou extremamente segura e em patamar de eficácia acima do indicado pela OMS (Organização Mundial de Saúde)", informou em nota.

O Butantã disse ainda que "trata-de de um grande avanço, porque, pelos resultados obtidos até agora, a vacinação em massa por meio do imunizante já garantiria expressivas reduções no número de internações por complicações relativas ao coronavírus". /COM REUTERS

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