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Twitter aponta publicação do Ministério da Saúde sobre 'atendimento precoce' como 'enganosa'

Mensagem foi marcada como 'potencialmente prejudicial' pela plataforma

João Ker e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2021 | 19h47

Uma publicação do Ministério da Saúde no Twitter foi marcada pela plataforma neste sábado, 16, como “potencialmente prejudicial” e com “informações enganosas” ao incentivar o suposto “tratamento precoce” contra a covid-19. Na véspera, uma postagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na rede já havia recebido o mesmo aviso por apresentar conteúdo similar.

Na publicação, o Ministério da Saúde afirma: “Quanto mais cedo começar o tratamento, maiores as chances de recuperação. Então, fique atento! Ao apresentar sintomas da Covid-19, #NãoEspere, procure uma Unidade de Saúde e solicite o tratamento precoce”. Apesar de defendido pelo presidente e pelo ministro Eduardo Pazuello, o suposto “tratamento precoce” contra a covid-19 não tem respaldo científico. 

"Este Tweet violou as Regras do Twitter sobre a publicação de informações enganosas e potencialmente prejudiciais relacionadas à COVID-19", afirma a plataforma. A empresa, entretanto, decidiu manter o texto no ar, alegando que o acesso a seu conteúdo "pode ser do interesse público".

Procurado, o ministério não se manifestou sobre o alerta do Twitter. Rejeitada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), entre outras entidades, a prescrição de medicamentos como a ivermectina e a hidroxicloroquina virou aposta do governo Bolsonaro. Após dois ministros (Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich) deixarem a pasta da Saúde por divergências com o presidente, coube ao general Eduardo Pazuello mudar a orientação da Saúde sobre o uso destes fármacos, que passaram a ser indicados desde o primeiro dia de sintomas da doença. 

Mesmo alertado sobre o colapso de saúde em Manaus, Pazuello e sua equipe voltaram a apostar no "tratamento precoce" como saída para a crise na capital do Amazonas. Nesta semana, o general pressionou médicos a prescreverem medicamentos de eficácia questionada e lançou na cidade o TrateCOV, aplicativo que ajuda no diagnóstico da covid-19 e sugere o uso do tratamento precoce. Bolsonaro culpou a falta deste tratamento pela crise na cidade, que está sem oxigênio para pacientes da covid-19 e bebês prematuros.

Sob ordem de Bolsonaro, o laboratório do Exército turbinou a sua produção de cloroquina e fez mais de 3,2 milhões de comprimidos na pandemia. Em novembro de 2020, havia cerca de 400 mil unidades em estoque. O País também recebeu cerca de 3 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da farmacêutica Sandoz, mas até dezembro não conseguiu distribuir nem sequer 500 mil unidades. Além da baixa procura, o fármaco foi enviado em caixas com 100 ou 500 comprimidos e precisa ser fracionado - com custo repassado a Estados e municípios.

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