Bruna Tiussu/Estadão
Bruna Tiussu/Estadão

Ubatuba confirma morte de turista por raiva humana

Jovem de 24 anos morreu em março após acidente com morcego; vítima era do Paraná e passava férias na cidade

Júlia Marques, O Estado de S. Paulo

22 Junho 2018 | 20h05
Atualizado 23 Junho 2018 | 17h01

Um jovem de 24 anos morreu em março após ter contraído raiva humana em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 22, pela prefeitura, com base em relatório da Secretaria de Estado de Saúde.

A vítima morava em Colombo, região metropolitana do Paraná, mas passava férias em Ubatuba, na casa do sogro. Segundo a prefeitura, ele contraiu a doença após um acidente com um morcego no dia 3 de janeiro.

“Ele foi a uma área rural de Ubatuba e ficou em um barraco. Foi mordido por um morcego. Depois de algum tempo, começou a ter o quadro clínico, mas não se lembrou de falar que tinha sido mordido”, explica Marcos Boulos, coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Estado de Saúde.

Sem sintomas enquanto estava em Ubatuba, o paciente não buscou atendimento médico na cidade e, ao voltar ao Paraná, em 15 de janeiro, iniciou o esquema de vacinação (o tratamento é com imunizante ou soro). O jovem foi internado em 19 de fevereiro, mas morreu em 9 de março. Segundo Boulos, o caso registrado é raro. “A raiva por causa do morcego não é comum porque é muito difícil a relação do animal com o homem.”

Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto Emílio Ribas, destaca a importância de procurar atendimento médico logo após acidentes com animais. “E à medida que há documentação da presença de morcegos portadores de raiva, isso serve de alerta para autoridades. Quando se diagnostica, é preciso uma atenção aos cães errantes (de rua) e aos morcegos da região.” 

A prefeitura de Ubatuba informou que adotou medidas como a captura de morcegos no bairro onde o jovem foi infectado e a vacinação de cães e gatos. Também foram feitas atividades de orientação sobre o manejo de morcegos e o que fazer em caso de acidentes. 

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Pelo País. Na última terça-feira, 19, o Estado informou que ao menos 12 pessoas morreram vítimas de raiva humana desde o início do ano na comunidade de Melgaço, no arquipélago de Marajó, no Pará, município com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil. Foram 14 casos notificados e sete confirmados laboratorialmente pelo Instituto Evandro Chagas e pelo Instituto Pasteur.

O Ministério da Saúde informou que o País está próximo da eliminação da doença. Em 2017, foram registrados seis casos de raiva humana - um em Pernambuco, um em Tocantins, um na Bahia e três no Amazonas, todos causados pela variante do vírus que circula entre morcegos.

A doença. A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordida. Também pode ser transmitida por arranhões ou pela lambedura desses animais. Os morcegos podem abrigar o vírus por longo período, sem sintomas aparentes. 

No caso de agressão por animal, é preciso procurar atendimento médico o mais rapidamente possível. O ferimento deve ser lavado abundantemente com água e sabão e deve ser aplicado produto antisséptico. O profissional de saúde avaliará a necessidade de aplicação de vacina ou soro.

Como prevenção, recomenda-se evitar se aproximar de cães e gatos sem donos, não mexer ou tocá-los quando estiverem se alimentando, com crias ou mesmo dormindo. Também é recomendado não tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente, principalmente quando estiverem caídos no chão ou encontrados em situações não habituais.

 

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