Ubatuba faz blitz para dengue do Rio não chegar a SP

Turistas com sintomas foram encaminhados à Santa Casa; cidade recebeu 120 mil pessoas no feriado

Simone Menocchi, de O Estado de S. Paulo,

21 de março de 2008 | 17h12

A cidade de Ubatuba intensificou os bloqueios para tentar impedir que a epidemia de dengue instalada no Rio de Janeiro chegue ao Estado de São Paulo. No ano passado a cidade do litoral norte paulista registrou 3 mil casos da doença, na forma clássica, e três casos de dengue hemorrágica, além de uma morte. VEJA TAMBÉM Bebê de sete meses é a vítima mais recente de dengue no RJ Rio admite epidemia e desculpa-se por dengue Especial - A ameaça da dengue Durante dois dias, enfermeiros, médicos e agentes de endemias da rede municipal de saúde, além de policiais rodoviários, fizeram barreiras em três entradas do município. Três mil veículos foram vistoriados e 12 pessoas com sintomas da doença encaminhadas ao hospital do município. Na BR-101, divisa com o Rio de Janeiro, e também nas rodovias Oswaldo Cruz (SP-125) e Rio-Santos (SP-55) os policiais e técnicos paravam todos os motoristas e orientavam a evitar a dengue, distribuindo panfletos. O feriado de Páscoa é considerado um dos procurados pelos turistas em Ubatuba, que está recebendo 120 mil pessoas. Durante a operação, os motoristas eram parados nas estradas. Não houve resistência por parte dos turistas. "Se tivessem feito isso lá no Rio de Janeiro, quem sabe, não estaríamos nessa situação", diziam.  Os ocupantes dos caros eram questionados se estavam com febre, dores de cabeça ou qualquer sintoma da dengue. Se apresentassem algum sintoma eram encaminhados para a Santa Casa, onde passavam por exames clínicos mais detalhados e se submetiam a exames de sangue. "Em todos os turistas não observamos nada muito sugestivo. Quem estava com febre ou dor de cabeça foi encaminhado para a Santa Casa", relatou o superintendente da Vigilância Epidemiológica do município, Neilton Nogueira. Nenhuma família se negou a colaborar com a campanha. Os principais sintomas da dengue que eram analisados pelos agentes eram febre alta, dores de cabeça, dor no fundo dos olhos e dor no corpo inteiro, semelhante a uma gripe muito forte.  Segundo o secretário de saúde do município, Clingel Frota, a maior preocupação é com relação ao vírus da dengue que está fazendo vítimas no Rio de Janeiro. "Lá é o tipo 2, aqui, durante todo ano passado, tivemos apenas o tipo 3. Nosso medo e esse bloqueio é justamente para impedir que o tipo 2 se instale aqui." De acordo com Frota, a diferença está apenas no tipo de vírus, e não no quadro assintomático. "Os sintomas são os mesmos e qualquer um dos tipos pode virar dengue hemorrágica. Esse vírus que está no Rio de Janeiro é novo." O município acredita que todas as cidades turísticas de São Paulo deveriam fazer bloqueios como este como medida preventiva. "Estamos atentos à situação do Rio. Nossa grande preocupação é o tipo 2. Foi o que nos motivou a fazer essa operação de dois dias. E vamos fazer quantas vezes forem necessárias", informou o secretário. No ano passado, entre os 3 mil casos de dengue, três hemorrágicas foram registradas em Ubatuba. Em uma delas, confirmada pelo laudo do Instituto Adolfo Lutz, a cabeleireira Carmem Lúcia de Oliveira Santos, de 37 anos, morreu. Os familiares contaram que havia focos do mosquito transmissor da doença no bairro e que a maioria dos parentes também havia contraído dengue. Carmem teve complicações no quadro e a dengue evoluiu para hemorrágica nível 4.

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