UE estuda reformar sistema de alerta para perigos com alimentos

União Europeia quer evitar alertas falsos baseando-se mais em resultados de testes

Efe

06 Junho 2011 | 15h52

Luxemburgo - A União Europeia estuda reformar o sistema de alerta para alimentos perigosos a fim de evitar novos alarmes prematuros e sem base científica suficiente, enquanto segue indefinida a origem do surto de E. coli.

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No Conselho de Saúde realizado nesta segunda-feira em Luxemburgo, os Estados-membros analisaram a gestão da crise sanitária gerada pelo surto na Alemanha e um grupo de países liderado pela Espanha pediu medidas concretas para evitar que se repita uma situação como a causada pelo "alarme falso" sobre os pepinos.

A proposta da Espanha para aprimorar o sistema teve o apoio de países como França, Itália e Polônia, enquanto a Comissão Europeia destacou a necessidade de "ajustes" para que os alertas passem a se basear mais em fundamentos científicos e para que haja mais coordenação entre os membros da UE.

O comissário europeu de Saúde, John Dalli, destacou a necessidade de encontrar o foco da infecção o mais rápido possível, depois que foi descartada a última pista que levava a plantações de leguminosas germinadas na Baixa Saxônia (Alemanha).

Dalli afirmou em entrevista coletiva que o epicentro da infecção continua no norte da Alemanha e fez recomendações "singelas" aos consumidores europeus, como lavar cuidadosamente os vegetais consumidos crus.

Ao ser questionado pelo alerta prematuro ativado pelas autoridades sanitárias alemãs, que apontaram pepinos de origem espanhola como causadoras do surto, Dalli afirmou "entender" que tenham feito isso sem contar com indícios suficientes "com o objetivo de proteger a população de um potencial perigo".

Embora tenha descartado que o atual sistema de alerta rápido de alimentos e rações (Rasff, na sigla em inglês) "precise de uma reforma", admitiu a necessidade de "ajustes com base no que aconteceu desta vez, sobretudo para melhorar a coordenação".

O sistema "deve estar mais unido aos testes" que são indispensáveis "na hora de fazer certas declarações", segundo Dalli.

As notícias sobre possíveis perigos para a saúde "viajam rápido, criam muito medo na população e danificam os produtores do sistema europeu", acrescentou.

Na mesma linha, o ministro da Saúde húngaro, Miklós Réthelyi, destacou a dificuldade de abordar ao mesmo tempo questões de saúde pública e interesses econômicos na hora de enfrentar um surto como o desta bactéria.

Já a ministra espanhola, Leire Pajín, transmitiu seu "profundo mal-estar" pela gestão da crise realizada pela Alemanha à secretária de Estado de Saúde alemã, Annette Widmann-Mauz.

Entre as reformas concretas para evitar que se repitam situações semelhantes no futuro, a Espanha propõe que antes de ativar o sistema seja feito um comunicado a todos os países afetados, explicou Pajín, além de fixar padrões comuns para as análises dos diferentes Estados-membros.

Segundo os dados da Comissão Europeia, a linhagem 0104 da "E. coli" afetou até agora cerca de 1.700 pessoas de 11 Estados-membros, dos quais uma centena sofre complicações médicas, e causou 20 mortes.

Os responsáveis de Agricultura da UE realizarão nesta terça-feira um encontro extraordinário em Luxemburgo, no qual tentarão um acordo sobre o tipo de compensações que serão concedidas ao setor hortifrutigranjeiro pela queda do consumo provocado pelo surto.

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