UE proíbe importação de produtos infantis chineses com soja

A medida se deve às recentes descobertas de mais produtos chineses contaminados por melamina

Ana Conceição, Agência Estado

03 de dezembro de 2008 | 15h47

A Comissão Européia, braço executivo da União Européia (UE), proibiu nesta quarta-feira, 3, a importação de produtos da China que contenham soja. A medida é válida para alimentos destinados a bebês e crianças e se deve às recentes descobertas de mais produtos chineses contaminados por melamina, um composto químico utilizado na fabricação de plásticos. Em bebês, a substância leva à formação de pedras nos rins e pode provocar insuficiência renal grave.  Além dos produtos infantis, a Comissão determinou que todos os produtos e rações animais provenientes da China e que contenham soja terão que passar por testes para identificação de melamina. Apenas itens com menos de 2,5 miligramas da substância por quilo poderão ser importados pelos 27 países que compõem a UE.  No final de novembro, uma companhia importadora de alimentos da França disse que testes realizados em 300 toneladas de farelo de soja da China, que seriam utilizados na criação de frangos orgânicos, resultaram positivo para melamina. A carga testada continha 116 miligramas do produto por quilo, ou 46 vezes mais o limite permitido. As medidas anunciadas hoje ampliam as restrições impostas pela UE em outubro. No ano passado, o bloco importou cerca de 68 mil toneladas de vários produtos à base de soja, ou que continham a oleaginosa em sua formulação, a um valor de 34 milhões de euros, de acordo com a Comissão Européia.  Na China, 294 mil crianças sofreram problemas no sistema urinário e cerca de 51,9 mil delas foram hospitalizadas por causa da contaminação por produtos com melamina. Quatro delas morreram. A substância é usada pela indústria química na fabricação de plásticos, colas entre outros produtos. Em setembro, descobriu-se que o produto havia sido misturado a diversos solúveis chineses, como o leite, para simular um teor alimentar maior. O caso ganhou dimensões globais quando vários produtos chineses passaram a ser recolhidos ou banidos dos pontos de venda por suspeita de contaminação. As informações são da Dow Jones. Nestlé  O órgão saudita que avalia os alimentos e os remédios informou na quarta-feira ter encontrado um lote de leite em pó da filial chinesa da Nestlé com altos níveis de contaminação por melamina industrial. "O produto contém altas concentrações danosas à saúde", disse o órgão em um comunicado divulgado em seu site.  A Nestlé, maior empresa alimentícia do mundo, rejeitou as informações. "Todos os produtos de laticínios da Nestlé vendidos na Arábia Saudita - assim como em todas as demais partes do mundo - são absolutamente seguros para o consumo. Nenhum produto da Nestlé é feito de leite adulterado com melamina", disse a empresa em nota.  A Arábia Saudita informou que o produto contaminado era um pacote de 400 gramas de Nesvita Pró-Ossos, produzido no dia 6 de maio de 2008 em uma filial na Nestlé na China. O órgão disse que o produto não deve ser consumido por pessoas de nenhuma idade.  A substância também foi encontrada, em quantidades perigosas para as crianças em três outros lotes da mesma marca - nos pacotes de 1.800 e 900 gramas, feitos no dia 19 de novembro e 15 de fevereiro de 2008.  No entanto, não foi informado se os produtos foram retirados do mercado ou se serão impostas restrições às importações. Foram testados 52 produtos feitos com leite em pó fabricados na China ou em países onde foram encontrados produtos contaminados com melamina. Nenhum deles é destinado ao consumo de bebês.  (Com Reuters) Ampliada às 21h31

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